Boeing anuncia demissão de 48 mil até o ano 2000
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A Boeing, a maior companhia aeroespacial do mundo, anunciou que vai demitir 48 mil de seus 238 mil funcionários, cerca de 20% da mão-de-obra, durante os próximos dois anos. A companhia também informou na noite da terça-feira que seu lucro cairá no ano que vem para US$ 1,5 bilhão. Há apenas cinco meses, a Boeing havia previsto um lucro de US$ 2 bilhões para o período. A empresa prevê que o número de demissões chegará a 38 mil até o fim do ano que vem, e a mais 10 mil no ano 2000.
A recessão na Ásia está prejudicando a Boeing, o maior exportador dos Estados Unidos, porque a região responde por um terço de suas vendas de jatos comerciais, que no total chegam a US$ 90 bilhões. O volume de viagens aéreas na Ásia diminuiu drasticamente e as companhias da região passaram a cancelar ou adiar pedidos, principalmente de aviões maiores.
Está claro que a desaceleração econômica na Ásia está diminuindo o tráfego, o que causa impacto nos planos e operações dos nossos clientes, disse o diretor do grupo de aviões comerciais da Boeing, Alan Mulally. As medidas que anunciamos hoje vão equilibrar a produção com a demanda do mercado, disse.
Mulally foi nomeado para o cargo em setembro, quando já se questionava o desempenho do presidente da companhia, Phil Condit. Com os anúncios de ontem, cresce a pressão para que Condit restabeleça a credibilidade da Boeing ou renuncie ao cargo. Não ficaria surpreso ao ver uma mudança na administração, disse Jim Ayscue, analista do Bank Corp., porque os acionistas vão pressionar a direção.
Além da crise asiática, outro grande problema da Boeing é uma guerra de preços com a concorrente francesa Airbus Industrie, a maior da Europa, que forçou os preços dos jatos a cair 20% nos últimos dois anos. O aumento excessivo de pedidos entre 1995 e 1996 resultou em atrasos na produção e levou a Boeing a ter prejuízos de US$ 178 milhões em 1997.


