Os boatos surgidos ontem, em Brasília, de que haveria feriado bancário e um pacote voltado para o setor bancário provocou um corre-corre dos paranaenses atrás de informações e até de mudança na forma de aplicação financeira. Os saques de dinheiro e a troca dos Fundos de Renda Fixa ou Variável pela poupança - opção considerada mais segura e que ficaria livre de um confisco - foram registrados em grande parte das agências bancárias. O maior receio do investidor era ficar com o dinheiro retido, como ocorreu no Plano Collor, em março de 1990.
Somente uma corretora de valores de Curitiba, cujo administrador pediu para que o nome fosse mantido em sigilo, retirou R$ 100 mil de uma aplicação feita no Banestado. ‘‘Decidimos retirar o dinheiro, quando aumentaram os boatos sobre o confisco das aplicações’’, afirmou o corretor de valores. Ele disse que o dinheiro ficaria ‘‘parado’’ durante o final de semana, pois era uma opção mais segura em relação a mantê-lo no banco.
Assim como a corretora, os pequenos clientes dos bancos também fizeram saques ou transferências de aplicações. No Banco do Brasil, o telefone não parou de tocar na maioria das agências, principalmente após o horário do almoço. ‘‘O mercado esteve agitado e os boatos foram muito fortes à tarde, o que fez com que o número de ligações aumentasse. As pessoas queriam saber se as informações eram verdadeiras’’, afirmou o gerente da agência central do Banco do Brasil, Mário Wuaden.
A assessoria do Banco do Brasil informou ainda que recebeu pedidos de informações de vários municípios do interior do Estado, entre eles Umuarama, Maringá e Londrina. Os gerentes queriam saber como orientar os clientes, que estavam impulsionados a retirar o dinheiro de suas aplicações.
Houve dúvidas também entre os clientes do Banestado. O setor de aplicações financeiras da agência do Centro Cívico atendeu pessoas interessadas em saber se haveria feriado bancário, na segunda-feira, e alguma possibilidade de confisco.
Para o jurista René Dotti, a agitação no mercado foi produzida por doleiros e especuladores que se beneficiam de uma maior desvalorização do real e da queda nas Bolsas de Valores. ‘‘Os boatos são produzidos por estes doleiros e causam uma instabilidade geral. Temos que parar com isso’’, afirmou Dotti.

mockup