Hong Kong - Carregamentos de soja dos Estados Unidos que tinham como destino a China podem ter sido confiscados no Golfo do México (EUA) por tradings que teriam sofrido prejuízos com os calotes dados por esmagadores chineses em contratos de soja no primeiro semestre.
Os comentários sobre os possíveis confiscos fizeram os futuros de soja na bolsa de Dalian, na China, subirem ontem, enquanto o mercado norte-americano permaneceu fechado devido ao feriado local do Dia do Trabalho.
A soja subiu na China porque muitos acreditam que haverá falta do produto no país depois dos calotes e do embargo durante o primeiro semestre. Muitos esmagadores chineses agora enfrentam dificuldades para conseguirem novos carregamentos de soja.
Traders disseram que não poderiam confirmar se os confiscos realmente ocorreram, mas acrescentaram que esperam que eles ocorram em algum momento. ''Eu acho que isso (confisco) vai acontecer. Mas não sei se já ocorreu algum'', afirmou um trader senior de uma das tradings internacionais com operações na China.
Desde o final de abril muitos compradores de soja chineses se recusaram a pagar por lotes de soja comprados quando os preços estavam em níveis recorde, antes da forte queda dos futuros em Chicago. Com a alegação de um problema de qualidade relacionada à soja brasileira, que estaria contaminada por produtos químicos, muitos navios ficaram semanas aguardando liberação, ou redirecionamento para outros destinos, provocando prejuízos calculados entre US$ 200 e 300 milhões para as tradings.
Os rumores do confisco, que apareceram na sexta-feira à tarde em Chicago, ajudaram a derrubar as cotações para a soja dos EUA. Alguns compradores chineses estão furiosos com as tradings, que também tornaram mais duros os termos contratuais, dificultando novos negócios.
Apesar de existirem cerca de 2 milhões de toneladas de soja em portos chineses no momento, alguns traders acreditam que algumas partes do país poderão registrar falta do produto, ainda que a safra local de soja, estimada em 18 milhões de toneladas, esteja começando a ser colhida.
''Os estoques ainda estão altos, mas esmagadoras prevêem falta de soja depois de outubro...Os preços do farelo estão melhores, apesar de a demanda continuar fraca'', disse um trader local. Analistas disseram que a disputa poderá reduzir as importações chineses de soja dos EUA para entre 5 e 6 milhões de toneladas na safra 2004/2005, ante 8 milhões de toneladas na safra anterior.

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