Boatos e cena política agitam mercado
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quinta-feira, 07 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo O dia da dissidência do PFL do governo foi de volatilidade e incerteza. Os investidores tentaram manter o sangue frio até mesmo quando o partido divulgou nota oficializando o abandono da base aliada; sustentaram o pique até quando a governadora Roseana Sarney insinuou que a candidatura de José Serra foi arrancada das sombras do poder.
Mas o mercado capitulou quando cresceram rumores sobre o conteúdo de revistas semanais e quando Inocêncio Oliveira voltou atrás na questão da CPMF. O saldo do dia foi a queda de 0,82% do Ibovespa. O volume financeiro somou R$ 671 milhões. E o dólar seguiu em alta pelo terceiro dias consecutivo, ficando 0,21% mais caro.
A boataria correu solta no mercado. Não faltam rumores sobre o conteúdo de duas importantes revistas semanais, que trariam escândalos envolvendo os candidatos à Presidência do PSDB e do PFL. Nada foi confirmado. Além da boataria, pegou mal a declaração do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, de que o partido vai reavaliar a decisão de apoiar a aprovação da CPMF, embora tenha se comprometido pessoalmente pela aprovação da emenda constitucional já na terça-feira.
O partido mudou, justificou Inocêncio. O mercado teme que a dissidência do PFL acabe por fragilizar tanto a candidatura de Roseana como a de Serra, o que poderia abrir espaço para a ascensão dos oposicionistas Lula e Garotinho.
Em que pese um certo exagero tanto nos boatos quanto na avaliação do discurso político de Inocêncio, o fato é que o mercado sabe que o jogo sucessório mal começou. Por isso, está ávido por novas pesquisas de intenção de voto, que serão o melhor instrumento para mensurar a reviravolta no cenário eleitoral ocorrida ontem. Segundo apurou a jornalista Rita Tavares, nem Sensus nem Ibope divulgarão pesquisas nos próximos dias.
Dólar A cena política esquentou os ânimos do mercado e garantiu a continuidade de alta do dólar pelo terceiro dia útil consecutivo. Desde segunda-feira, a moeda americana já subiu 2,02%, saltando de R$ 2,3260 para R$ 2,3730, no fechamento de hoje, com alta de 0,21%.
O sentimento nas mesas de negociação é de que dependendo do conteúdo das revistas semanais e dos desdobramentos da votação da CPMF na próxima semana poderá haver um efeito político negativo com aumento da taxa de risco do Brasil e redução de investimentos estrangeiros no País. Os investidores temem pela não-continuidade da política econômica num eventual governo de oposição, ainda que a vitória da esquerda não seja mais rejeitada como antigamente, justificou um diretor de tesouraria de um banco.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,02%, entre a mínima de R$ 2,3570 (-0,47%) e a máxima de R$ 2,3810 (+0,55%). Neste mês, a moeda americana acumula ligeiro ganho frente o real de 0,34% e, no ano, +2,46%.


