Boatos criados pelo BC quebraram o Bamerindus
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Agência Câmara 
A CPI do Proer, que investiga a destinação de R$ 20 bilhões no socorro a bancos privados, ouviu ontem, pela segunda vez, o ex-controlador do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira.
José Eduardo afirmou que o Bamerindus quebrou após uma onda de boatos patrocinados por dirigentes do próprio Banco Central. Segundo ele, técnicos do BC plantaram notícias falsas na imprensa por mais de um ano, o que teria provocado uma onda de saques na instituição.
José Eduardo também voltou a abordar a questão das obrigações previdenciárias assumidas pelo HSBC. Segundo ele, o banco teria ganho US$ 210 milhões (R$ 550 milhões) com a operação. Sob intervenção, o Bamerindus firmou contrato de assunção de obrigações previdenciárias com o HSBC, repassando-lhe R$ 430 milhões.
Um dos ex-liquidantes do Bamerindus que estão sendo investigados pela CPI teria lhe revelado que houve mudança do cálculo atuarial do valor necessário para fazer frente às aposentadorias, sugerindo o pagamento de propinas. O primeiro cálculo atuarial demonstrava que o valor necessário não seria superior a R$ 220 milhões, mas aí surgiu uma pressão, pois precisavam dar mais R$ 250 milhões para o HSBC e mais algumas comissões.
Para José Eduardo, ficou claro que o HSBC não trouxe dólares ao País, o que ele trouxe foi o que o Bamerindus pagou pelos bradies - papéis da dívida externa.
O empresário sugeriu que a CPI investigue os então diretores do BC que mantiveram alguma relação com o HSBC, instituição que assumiu os ativos de seu banco em março de 1997. Lembrou que o ex-presidente do BC Gustavo Franco foi o responsável pelo lançamento do Fundo Imobiliário do banco inglês, afirmando que sua participação no processo é questionável do ponto de vista ético, uma vez que ele fazia parte da diretoria do Bacen à época da intervenção no Bamerindus.
José Eduardo questionou a CPI por não ter incluído o primeiro interventor do Bamerindus, Luiz Carlos Alvarez, na lista de suspeitos que tiveram o sigilo fiscal e o bancário quebrados.
Alvarez, considerado um dos principais formuladores do Proer, provocou prejuízos ainda maiores ao banco com as vendas iniciais de ativos, imóveis, companhia seguradora e na compra dos bradies - títulos da dívida externa usados como garantia dos investimentos do HSBC no Bamerindus.


