Agência Estado
De São Paulo
As ações da Telefónica voltaram a disparar ontem, em Madri, com rumores de uma eventual fusão com a Deutsche Telekom, a maior operadora de telefonia fixa da Europa. Logo de manhã, o papel da maior companhia privada da Espanha disparou 7,60%. A 15 minutos do final do pregão, o papel da companhia operava em alta de 4,94%.
De acordo com Julián Pascual, analista do Deutsche Bank em Madri, as ações das companhias européias de telecomunicações têm apresentado significativa valorização nos últimos dias devido às grandes perspectivas de negócios nas áreas de Internet e telefonia celular de terceira geração e às fortes especulações de novas fusões no setor, entre elas a da Telefónica e a Deutsche Telekom.
‘‘No momento, a Telefónica é muito atrativa, não só por ser um player estratégico no mercado hispânico e português, mas também por que é extremamente atraente para ser adquirida ou até mesmo por jogar também como eventual compradora’’, disse Pascual, em entrevista à Agência Estado, por telefone de Madri.
Embora uma eventual fusão entre a Telefónica e a Deutsche Telekom esteja descartada, a princípio, o mercado não deixa de especular sobre esse possível fato, já que a própria operadora espanhola reconheceu esta semana que chegou a haver conversações com a British Telecom.
Desde 1990, quando colocou os pés na América Latina, a Telefónica investiu US$ 10,9 bilhões apenas em aquisições de empresas do setor. Praticamente metade dessa cifra foi direcionada ao Brasil, onde a companhia adquiriu, primeiro, a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e, depois, a Telesp Participações (telefonia fixa) e a Telesudeste Celular (telefonia móvel no Rio de Janeiro e Espírito Santo). Atualmente, 27% do faturamento do Grupo Telefónica vêm de seus negócios fora da Espanha. No período de 1999 a 2001, a empresa espera investir R$ 12 bilhões apenas no Brasil, fora os US$ 4,5 bilhões e US$ 2,5 bilhões na Argentina e Peru, respectivamente.