Boas práticas nas relações de consumo
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sexta-feira, 11 de maio de 2007
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O chamado ''consumo consciente'' é, ainda, um tema novo para a maioria dos brasileiros. No entanto, mesmo sem saber ao certo o significado da terminologia, as pessoas têm buscado adotar práticas social e ambientalmente corretas nas suas relações de consumo. Pesquisa realizada, em 2006, pelo Instituto Akatu, Organização Não-Governamental (Ong) de São Paulo, mostrou que um terço dos entrevistados adota condutas de consumo avaliando seus impactos na sociedade e no meio ambiente. O mesmo estudo apontou que a Região Sul reúne o maior índice de consumidores engajados na prática do consumo consciente: 39%.
Esse é o caso da artista plástica Berty Ribeiro, frequentadora assídua de uma feira de produtos orgânicos, em Curitiba. O que, em princípio, motivou o consumo de alimentos sem agrotóxicos ou aditivos químicos, segundo ela, foi a preocupação com a saúde. Mas, os efeitos dos poluentes na natureza, também pesam na hora de escolher o que vai para a mesa.
Outra atitude que já se tornou hábito para Berty é a separação do lixo orgânico do reciclável. Ela conta que, em sua casa, os resíduos que podem ser reciclados são separados, inclusive, por tipo de material: papel, vidro, plástico. Berty acredita, no entanto, que esse é um cuidado que a maioria das pessoas ainda não absorveu como costume. ''Vejo pela minha empregada. Já ensinei várias vezes como separar o lixo, mas volta e meia tenho que chamar sua atenção'', afirmou.
Os produtores da feira de orgânicos da qual Berty é cliente, também, estão buscando alternativas para diminuir o impacto do lixo no meio ambiente. Eles passaram a usar sacolas oxi-biodegradáveis, que levam menos tempo para se decompor. Enquanto as sacolas plásticas convencionais podem ficar até por 100 anos na natureza, as oxi-biodegradáveis desaparecem em até 18 meses. A utilização dessas sacolas vem sendo incentivada pela Ong Fundação Verde, de Maringá (noroeste do Estado), onde fica sediada a primeira fábrica paranaense a confeccionar o material.
A iniciativa de usar as sacolas ecológicas partiu dos agricultores Maria Salette e Adelmo Escher e, logo, a idéia foi incorporada pelos outros 23 produtores que expõem nas feiras do Passeio Público, da Praça do Expedicionário e Jardim Botânico. ''Como produtores agroecológicos, temos essa preocupação com a preservação do meio ambiente. É um princípio nosso. E o nosso consumidor aprovou essa iniciativa'', afirmou Maria Salette.
A maioria dos clientes da feira de orgânicos já tem uma outra percepção sobre consumo consciente - acredita a produtora rural - e procuram reduzir ao máximo a quantidade embalagens que levam para casa. Segundo ela, muitos trazem sua sacola de casa e outros já passaram a exigir a sacola oxi-biodegradável. ''Queremos sensibilizar outras pessoas, pelo menos, a pensar na quantidade de lixo que geram e no que cada pessoa pode fazer pelo meio ambiente'', acrescentou.
A dona de casa Odette de Lima Wawrzynik se encaixa nesse perfil. ''Não quero lixo no mundo para meus descendentes'', declara, elogiando a iniciativa dos feirantes de adotarem as sacolas ecológicas. Cliente fiel da feira, ela afirma que se nega, também, a comprar produtos com agrotóxicos, mesmo sabendo que paga mais caro pelos orgânicos.
Os dados sobre geração e destinação do lixo no Brasil não são precisos. Segundo levantamento feito, em 2004, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional de Amostragem por domicílio (Pnad), o Brasil produz cerca de 228,5 mil toneladas de resíduos por dia. Dados extra-oficiais, divulgados por Ong's, apontam que entre 2% e 5% do lixo urbano são reciclados.


