Boa perspectiva com safrinha faz preço do milho cair
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segunda-feira, 07 de julho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A queda nos preços do milho se intensificou na semana passada e mantém a tendência de baixa. O indicador Esalq/BMF revela que, no País, a redução média foi de 5,3% entre 30 de junho e 4 de julho. No Paraná, o recuo foi de 7,63% na região de Cascavel, atingindo R$ 13,56 por saca. No Norte do Estado a redução foi de 9,76%, com cotação de R$ 14,33.
A causa da desvalorização, segundo a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), é a boa perspectiva com relação ao milho safrinha. Se as estimativas se confirmarem, o Estado vai alcançar a produção recorde de 4,6 milhões de toneladas na segunda safra, com produção total de 12,8 milhões de toneladas no ano. ''O mercado está tranquilo'', afirmou.
Para o analista de mercado Nagib Abudi Filho, diretor da Investidor Global em Londrina, há espaço para novas desvalorizações. ''A tendência é de queda total até chegar ao fundo do poço, o que deve acontecer com a colheita da safrinha'', opinou.
Nessa conjuntura, só escapará dos preços baixos o produtor que se protegeu com os contratos de opção leiloados pelo governo federal. Descontados os encargos e o prêmio, a saca sairá por R$ 17,00, de acordo com Nagib. Produtores que venderam o milho durante a colheita, quando a saca estava cotada a R$ 21,00, acumularam lucros.
Vera considera que a consequência da desvalorização é que o produtor continuará migrando para a soja na safra de verão, deixando para plantar milho no inverno, quando os riscos são maiores. ''Se houver perda na próxima safrinha, pode faltar milho no segundo semestre do ano que vem. É o velho 'sobe e desce' do mercado do milho'', comentou.
Com a soja cotada a R$ 35,00, a relação de preço entre as duas commodities é de 2,8 sacas de milho para cada saca de soja. ''O produtor considera ideal a relação de 1,8 saca de milho para uma de soja'', disse Nagib. Por esse cálculo, o cereal deveria estar cotado a R$ 20,00 para atrair o produtor.


