Boa notícia: nível de reservas pára de cair
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sexta-feira, 25 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - As reservas externas do Brasil pararam esta semana de cair - ou pelo menos de baixar ao ritmo em que vinha ocorrendo. Três fatos comprovam isso. O mais relevante deles mostra que, desde 18 de agosto, quando o Banco Central (BC) começou a fazer leilões de linhas externas, a partir de seus recursos em caixa, para irrigar o crédito à exportação, a instituição não promoveu nenhum leilão para essas linhas entre a segunda-feira e ontem. Já na semana passada houve uma ligeira melhora, pois o BC reduzira a quantidade de recursos postos em leilão de US$ 153,8 milhões, na semana anterior, para US$ 90 milhões.
O segundo fato é que desde a terça-feira o BC não faz intervenção no mercado, vendendo dólares à vista. E o terceiro está nos próprios números das reservas, que se mantêm na faixa de US$ 35,4 bilhões (reservas brutas). Depois de caírem incessantemente desde de 11 de setembro, com a exceção de só dois dias, nota-se uma reversão nas perdas. O volume das reservas acumuladas no BC começaram a subir desde a segunda-feira. Apesar da queda ocorrida na terça-feira, o montante voltou a elevar-se na quarta e na quinta-feira.
Economistas apressam-se em mostrar cautela em relação ao aumento das reservas. ''Isso só será uma tendência de fato quando o investidor estrangeiro souber quem será o novo presidente do BC e o novo ministro da Fazenda'', diz José Augusto Savasini, sócio da consultoria Rosenberg & Associados. ''Mas obviamente é uma boa notícia. Estávamos perdendo cerca de US$ 150 milhões todos os dias e agora isso foi revertido, pelo menos temporariamente.'' Ele lembra que, em novembro, os vencimentos dos setores privado e público somam US$ 2,4 bilhões, e dezembro tem uma grande concentração de pagamentos, de US$ 5,5 bilhões. ''Não revi minha estimativa: o País deve fechar o ano com US$ 12,5 bilhões em reservas líquidas'', diz. A previsão do BC é de US$ 13,6 bilhões.
Para Octavio de Barros, economista-chefe do BBV Banco, a alta pode ser decorrente de uma ligeira recuperação de linhas comerciais e investimento em bolsa. ''Mas nada em profusão'', ressalva. Segundo ele, é precipitado falar em uma tendência de aumento das reservas. ''Mas houve uma calibragem para o risco, as pessoas tinham exagerado.'' Ele acredita que possa haver uma volta significativa do capital estrangeiro quando o governo conseguir desarmar a expectativa de calote. Mas essa volta não deve ocorrer antes de 31 de dezembro. ''Os bancos estrangeiros não vão querer mostrar em seus balanços um aumento na exposição ao Brasil.''


