São Paulo - As reservas externas do Brasil pararam esta semana de cair - ou pelo menos de baixar ao ritmo em que vinha ocorrendo. Três fatos comprovam isso. O mais relevante deles mostra que, desde 18 de agosto, quando o Banco Central (BC) começou a fazer leilões de linhas externas, a partir de seus recursos em caixa, para irrigar o crédito à exportação, a instituição não promoveu nenhum leilão para essas linhas entre a segunda-feira e ontem. Já na semana passada houve uma ligeira melhora, pois o BC reduzira a quantidade de recursos postos em leilão de US$ 153,8 milhões, na semana anterior, para US$ 90 milhões.
O segundo fato é que desde a terça-feira o BC não faz intervenção no mercado, vendendo dólares à vista. E o terceiro está nos próprios números das reservas, que se mantêm na faixa de US$ 35,4 bilhões (reservas brutas). Depois de caírem incessantemente desde de 11 de setembro, com a exceção de só dois dias, nota-se uma reversão nas perdas. O volume das reservas acumuladas no BC começaram a subir desde a segunda-feira. Apesar da queda ocorrida na terça-feira, o montante voltou a elevar-se na quarta e na quinta-feira.
Economistas apressam-se em mostrar cautela em relação ao aumento das reservas. ''Isso só será uma tendência de fato quando o investidor estrangeiro souber quem será o novo presidente do BC e o novo ministro da Fazenda'', diz José Augusto Savasini, sócio da consultoria Rosenberg & Associados. ''Mas obviamente é uma boa notícia. Estávamos perdendo cerca de US$ 150 milhões todos os dias e agora isso foi revertido, pelo menos temporariamente.'' Ele lembra que, em novembro, os vencimentos dos setores privado e público somam US$ 2,4 bilhões, e dezembro tem uma grande concentração de pagamentos, de US$ 5,5 bilhões. ''Não revi minha estimativa: o País deve fechar o ano com US$ 12,5 bilhões em reservas líquidas'', diz. A previsão do BC é de US$ 13,6 bilhões.
Para Octavio de Barros, economista-chefe do BBV Banco, a alta pode ser decorrente de uma ligeira recuperação de linhas comerciais e investimento em bolsa. ''Mas nada em profusão'', ressalva. Segundo ele, é precipitado falar em uma tendência de aumento das reservas. ''Mas houve uma calibragem para o risco, as pessoas tinham exagerado.'' Ele acredita que possa haver uma volta significativa do capital estrangeiro quando o governo conseguir desarmar a expectativa de calote. Mas essa volta não deve ocorrer antes de 31 de dezembro. ''Os bancos estrangeiros não vão querer mostrar em seus balanços um aumento na exposição ao Brasil.''

mockup