Boa hora para investir na pele
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Maria Luísa Hoffmann<br>Especial para a FOLHA 
No inverno, o clima seco, o vento em excesso, as mudanças bruscas de temperaturas e a poluição podem resultar no ressecamento da pele, ou seja, na falta de gordura ou água no organismo. A defesa natural, feita pelas glândulas sebáceas e sudoríparas, forma uma mistura imperceptível que protege a epiderme, chamada de manto hidrolipídico. ''Uma das funções da pele é a proteção do meio interno em relação ao meio externo. Sabe-se que nosso organismo é formado por 70% de água e que a perda de parte dessa água pode colocar a integridade orgânica em risco. A epiderme impede que os líquidos corpóreos se percam'', explica a terapeuta estética Lidiane Ribeiro.
Porém, essa proteção pode não resistir às agressões externas. A dermatologista Aline Anizelli Borba explica que nesse período do ano há diminuição da produção sebácea e de suor, que são hidratantes naturais da pele. ''Acresce-se a este fator os banhos mais quentes e mais longos que retiram ainda mais esta gordura natural da pele e a menor ingestão de líquidos'', enfatiza. O resultado pode ser a sensação de a pele ''rachar'', ficar áspera, falta de brilho ou elasticidade e, em casos mais graves, ardências, manchas que coçam e que podem se tornar feridas.
''A pele no inverno pode tornar-se esbranquiçada ou avermelhada, descamativa, mais sensível a produtos químicos e tecidos e coçar mais. Isso pode desencadear ou piorar, quando já existentes, alergias, infecções e caspa (dermatite seborréica). Também há maior ressecamento e fragilidade das unhas e cabelos pela desidratação'', complementa a dermatologista. A partir daí podem surgir outros sintomas como a xerose cutânea, ou seja, um aumento da perda de água, o prurido (coceira), a formação de lesões inflamatórias (eczemas) e descamações persistentes (ictioses).
O funcionamento das glândulas é determinado geneticamente e, de modo geral, peles claras ou sensíveis tendem a ser mais secas. Para garantir uma hidratação adequada, é necessário aplicar produtos específicos para cada tipo de pele. ''Os hidratantes mais potentes contêm na formula alguns desses componentes: ureia, ácido hialurônico, ceramidas, lipossomas, óleos essenciais, alfa hidroxiácidos (glicólico, lático), lactato de amônio ou gluconolactona. Devemos procurá-los nos rótulos. Quando houver doença de pele exacerbada, como dermatite atópica, psoríase, eczemas, é necessário procurar auxílio médico dermatológico para tratamento específico, já que nestes casos somente estas recomendações não são suficientes'', explica Aline Anizelli Borba.
Para o rosto, são indicados hidratantes a base de colágeno e filtro solar, diariamente. Nas áreas mais ressecadas, como mãos, cotovelos, joelhos e pés, o indicado é aplicar camadas mais generosas de hidratantes. Lembrando que pessoas com pele muito oleosa devem usar produtos sem óleo. Cristiane Garcia é securitária, tem 37 anos e começou a cuidar da pele há cinco anos. ''Ficava muito tempo exposta ao sol e ao cloro porque fazia natação. Minha pele estava com aspecto ressecado, desidratado''. A securitária explica que ao procurar ajuda profissional passou a controlar o ressecamento principalmente durante o inverno. ''Normalmente ficaria super ressecada, mas hoje não sinto tanto os efeitos do frio porque tenho um acompanhamento e o hábito de usar protetor solar'', complementa.
A atenção deve ser ainda maior para quem acabou de passar por procedimentos como peeling. Essa descamação da pele é realizada a partir da aplicação de determinadas substâncias para retirar ou diminuir manchas, e por isso, filtro solar e emolientes são indispensáveis. ''Esse tratamento varia de intensidade, podendo ser superficial, médio e profundo. Existem vários tipos peelings, mas o que vai determinar que tipo será escolhido para cada paciente será o problema, como linhas de expressões, manchas, rugas e estrias'', explica Lidiane Ribeiro. O tratamento custa a partir de R$ 120 por aplicação podendo chegar até R$ 300 (no caso do peeling de cristal).
Tratamentos alternativos são indicados para prevenir ou aliviar o ressecamento durante o inverno intenso. Na ionização, os aparelhos auxiliam a penetração de cremes na pele, e no banho de parafina, geralmente aplicado nos mãos e nos pés, o paciente mergulha parte do corpo no líquido e deixa secar por cerca de 15 minutos, resultando em uma pele mais macia.


