O abastecimento do milho, ano que vem, está ameaçado. Análises do mercado, esta semana, convergem para uma migração dos agricultores para a soja, tanto no cerrado como nos três Estados do Sul.
E ontem, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) apontou mais uma fator favorável à corrida para a soja, que as consultorias do mercado divulgaram com certo destaque.
Seguinte: o Usda estimou que a produção mundial de soja na safra 2002/03 será menor do que a demanda, reduzindo os estoques finais do grão.
A demanda pelo complexo - grão, óleo e farelo - deve crescer 3,5%, ficando em 190,78 milhões de t, enquanto a produção deve aumentar em 3,1%, atingindo 189,41 milhões de t. Como resultado, os estoques mundiais devem encerrar a próxima safra em 29,37 milhões de t, com queda de 3,76% sobre 2001/02.
Está certo que muitos dados do Usda foram desacreditados, por agentes do mercado, segundo a FNP, Consutoria & Comércio, de São Paulo, mas, pelo menos a previsão é confiável. Repercutiu no fechamento da Chicago Board of Trade, a poderosa Bolsa de Chicago.
Com base nesse quadro - que ficou bem configurado esta semana -, observa-se que a preocupação da Associação dos Produtores de Sementes de Milho do Estado de São Paulo tinha fundamento. A Associação também chegou a divulgar alerta através de anúncio oficial nos principais jornais do País.
No Paraná, empresários e técnicos do próprio setor sementeiro acharam que aquilo era um exagero. Mas não houve exagero algum.
As análises de Adriano J. Timossi, da FNP, semanas atrás, também apontavam para ''uma realidade de ampliação da área da soja em detrimento da área de milho''. E o analista da Agriconsult, André Pessôa, disse a Agência Estado, ontem, que a produção de soja poderá mesmo atingir 48 milhões de t, contra 41,1 milhões de t produzidas em 2001/02. Essa marca de 48 milhões de t, se confirmada, será recorde.
Os produtores já começaram a vender a safra de soja do ano que vem, antes mesmo de plantá-la, diz Pessoa à AE. Os preços atraentes oferecidos pelas tradings que operam o mercado mundial servem de estímulo.
Motivos para os preços altos não faltam: além de se beneficiar da desvalorização cambial, o sojicultor tira proveito de um cenário de oferta e demanda bastante atrativo no mercado internacional - conforme dados acima divulgados ontem pelo Usda.
Para o milho só notícia negativa. Não adianta achar que a redução da área reduz a oferta e o preço sobe. Porque mexe com outros preços, a cotação do milho não tem direito de crescer.

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