Brasília - Os produtores terão R$ 3 bilhões para quitar débitos junto a fornecedores de insumos agrícolas, anunciou ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, após participar de reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes dos agricultores. Os recursos serão liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esse dinheiro soma-se ao R$ 1 bilhão liberado no começo do mês em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Com isso, o governo atendeu parcialmente à exigência dos manifestantes, que era de R$ 5 bilhões.
Não houve, porém, avanços em um dos principais pedidos dos agricultores: a renegociação total das dívidas do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e da securitização. A estimativa do governo é de que elas somem R$ 19 bilhões. O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que esteve com Lula antes da reunião do presidente com os representantes do setor agrícola, comentou que o presidente ''não aceita discutir a renegociação das dívidas do setor''.
De acordo com Maggi, o presidente deixou claro que a renegociação beneficiaria produtores que estão inadimplentes. O governo aceitou apenas criar um grupo de trabalho para avaliar a possibilidade de renegociação das dívidas que vencem em 2005. De acordo com Rodrigues, estas parcelas que vencem neste ano somam R$ 300 milhões. Só se beneficiariam da decisão os produtores adimplentes até 31 de dezembro de 2004. ''O governo vê com simpatia o tema. Precisamos de uma ponte para que atravessemos um ano ruim'', comentou Rodrigues.
O governo concordou, por outro lado, em liberar os bens dados como garantia dos empréstimos do Pesa e da securitização, bloqueados em razão da falta de pagamento das parcelas. O ministro lembrou que o governo avaliará caso a caso a liberação dos ativos vinculados a esses programas, que permitirão a renegociação das dívidas dos agricultores em meados dos anos 90.
A terceira medida anunciada pelo governo em resposta ao ''tratoraço'' diz respeito ao seguro rural. O governo decidiu criar um ''fundo de catástrofe'', que permitiria as empresas seguradoras ter um ''colchão'' quando houvesse perdas de safra como a verificada neste ano, por causa da estiagem que castigou o Sul do País. Empresas de insumos, por exemplo, poderiam contribuir para o fundo, pois teriam interesse em receber seus débitos no caso de perda de safra. Segundo Rodrigues, o governo enviará ao Congresso Nacional um adendo ao projeto de lei que trata da quebra de monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

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