O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá desembolsar pelo menos US$ 7,350 bilhões em empréstimos ao setor de infra-estrutura este ano, informou ontem o diretor de Infra-Estrutura do banco, Fernando Perrone. Esta, explicou, é a demanda por desembolsos previstas nesta área, nos próximos 12 meses. Embora o ano mal tenha começado, a carteira de pedidos de empréstimos feitos por empresas deste setor, que estão em fase de contratação, análise e consulta, já alcançam US$ 14,6 bilhões, mais, portanto, do que todo o orçamento de investimento do sistema BNDES inteiro em 98 (US$ 13,5 bilhões). Apesar disso, não faltará dinheiro porque os recursos não são desembolsados de uma só vez, mas sim conforme o andamento de cada projeto, ao longo de alguns anos.
Segundo Perrone, as previsões de que a economia brasileira crescerá cerca de 1% somente este ano não deverão afetar os investimentos em infra-estrutura. Ao todo, explicou, os pedidos de financiamentos na carteira da área de infra-estrutura dizem respeito a projetos que totalizam US$ 38,4 bilhões, e que não deverão ser adiados, até por serem novos campos de atuação nos quais há muito tempo o setor privado queria entrar. Assim, o setor de petróleo e gás, que no ano passado nada tinha no BNDES, já apresentou projetos que somam US$ 8, bilhões, dos quais US$ 2,5 bilhões viriam do BNDES. No caso da previsão de demanda por desembolsos este ano, este mesmo setor deverá representar 22% do total, enquanto que em 97 não saiu um tostão do banco para ele. Vai perder apenas para o setor de energia, cuja previsão de demanda representa 29% do total de desembolsos esperados.
O BNDES, disse Perrone, está disposto a ter participação cada vez menor nos projetos, inclusive porque a liquidez no mercado internacional se estreitou desde a crise na Ásia e consequentemente os recursos externos encareceram muito - e boa parte dos recursos que ele empresta, capta justamente no mercado internacional. O foco agora, assinalou, será sobre a função de tornar viáveis operações de grande porte, ajudando na captação de parceiros, sejam eles organismos multilaterias (como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID, International Finance Corporation-IFC, Eximbank do Japão e dos Estados Unidos, etc.), sejam bancos internacionais, ou mesmo brasileiros. Isso quer dizer que o BNDES poderá entrar com uma parte pequena nos projetos - em média, na infra-estrutura, ele participava com 80% mas deverá cair para a média de 60% a 65% - e junto com a empresa financiada congregar outras instituições para que compareçam com o restante dos recursos.
Ele a superintendente da Área de Infra-estrutura, Yvone Saraiva, visitaram no mês passado diversos bancos nacionais e estrangeiros, mostrando as oportunidades de negócios que estão se abrindo na infra-estrutura. Ele e Yvone lembraram que bancos brasileiros que emprestavam por no máximo três ou quatro anos, participaram do projeto de financiamento à Confab, para fornecimento de tubos à Petrobras, com prazo de 14 anos. ‘‘A tendência é a de que este movimento se torne cada vez mais comum’’, disse Perrone. Yvone Saraiva explicou ainda que os bancos menores não ficarão alijados deste processo, pois podem conceder os chamados empréstimos sindicalizados.
No total de projetos de infra-estrutura em carteira no BNDES, além dos US$ 8, bilhões do setor de petróleo e gás destacam-se o setor de transportes, com US$ 6,9 bilhões e o de telecomunicações, com US$ 6,5 bilhões. No caso de petróleo e gás, o BNDES poderá dar financiamentos de US$ 2,5 bilhões, incluindo US$ 380 milhões para o gasoduto Brasil-Bolívia e US$ 344 milhões para dutos de transporte do gás de Urucu, na Amazônia; US$ 553 milhões para exploração e produção de petróleo no campo de Barracuda/Caratinga, com a Petrobras e parceiros privados; e até US$ 800 milhões para o megaprojeto de exploração e produção no campo de Marlin.
No ano passado, segundo Perrone, todo o sistema BNDES desembolsou US$ 19,1 bilhões, mas para este ano está com orçamento de investimentos de apenas US$ 13,5 bilhões. Justamente por causa da mudança de foco, pela qual o banco passará cada vez mais a ser um viabilizador de projetos, a redução no orçamento não vai afetar os investimentos no País, assegurou Perrone.

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