Isabel Clemente
Agência Folha
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem, no Rio de Janeiro , a criação de uma linha de financiamento, com juros baixos, para a compra do algodão nacional. O banco dispõe de R$ 400 milhões para financiar a indústria têxtil.
O objetivo do governo é estimular a competitividade do setor e reduzir o impacto das importações de algodão na balança comercial, segundo o diretor de Planejamento do BNDES, Sérgio Besserman.
Em 97, o país gastou US$ 900 milhões comprando algodão, produto que só perde para o arroz na pauta de importações da agroindústria brasileira. É a primeira vez que o BNDES, tradicionalmente financiador de investimentos, atua estimulando a compra e a venda diretas de um bem. ‘‘Nesse caso, o impacto sobre um conjunto de investimentos era visível’’, disse Besserman, que não descarta a adoção de medidas semelhantes para outros produtos.
A diretoria do BNDES conversou com representantes dos produtores de
algodão e das indústrias até chegar à aprovação da linha, anunciada ontem. ‘‘A estimativa é que a área plantada e a produção cresçam 30% este ano, já com queda expressiva nas importações’’, afirmou.
A baixa tarifa de importação -hoje de 5%, contra 55% em 87 -, os baixos
custos e os longos prazos dos financiamentos captados no exterior acabam atraindo as indústrias brasileiras, segundo Besserman. A safra de algodão caiu de 1 milhão de toneladas, em 90, para 350 mil t, em 96, com uma pequena recuperação no ano passado (450 mil t). Como a demanda interna é de 900 mil t, toda a diferença tem sido importada, informa Jaldir Freire Lima, chefe da área de Operações Industriais do banco.
O Brasil, que na década de 70 era exportador de algodão, passou, no ano
passado, à condição de segundo maior importador mundial, atrás da China, informa o banco.
Segundo Besserman, a cultura de algodão está se recuperando. A produtividade, de 950 kg/ha, supera a média mundial (650 kg/ha), e, em alguns lugares, chega a 1.200 kg/ha. ‘‘Mas os produtores nacionais não conseguem vender. Com o crédito, vamos desatar esse nó.’ A linha de crédito tem juros de 5% ao ano mais a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo - hoje de 9,89%). Também será cobrada uma taxa de risco que pode variar, por empresa, de 0% a 2,5%. O empréstimo deverá ser pago em uma única parcela, no prazo de 10 meses.

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