O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) suspendeu desde o último dia 11 os pedidos de financiamento do Moderfrota, linha de crédito para máquinas e equipamentos agrícolas. Também foram suspensos os pedido no Inovagro, programa de financiamento a investimentos em inovação no agronegócio.


O BNDES não explicou o porquê da suspensão. Informou apenas que “mantém discussões junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na avaliação de alternativas para remanejamento de recursos equalizáveis pelo Tesouro Nacional para os citados programas, para o Ano Agrícola 2018/2019".


O presidente do BNDES, Joaquim Levy, já criticou os subsídios do crédito agrícola. "A ideia é de que o desmame tem de acontecer", disse Levy, em evento promovido pelo banco BTG Pactual, no fim de fevereiro, citando distorções causadas por subsídios agrícolas, como as pedaladas fiscais, que geraram um passivo bilionário que precisou ser devolvidos pelo BNDES ao Tesouro.


REPERCUSSÃO

Para o presidente do Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), João Carlos Marchesan, o presidente do BNDES é um “tecnocrata que não entende de agronegócio”. Segundo ele, o governo não vai fechar a torneira dos financiamentos porque o setor “esteve junto com Bolsonaro o tempo todo e elegeu esse governo, que é a única coisa que está dando certo neste pais”


Marchesan declara que não se deve falar em subsídio da atividade agrícola. “O que o governo subsidia são os bancos”, afirma ele alegando que os bancos cobram 2,5% de spread e o BNDES, “que não tem risco nenhum”, 0,9%. “Se tirar dos 7,5%, meio (ponto porcentual do banco de varejo) e meio do BNDES, teremos 6,5% que é a Selic – taxa básica de juros. Então não tem subsídio, é questão de fazer conta.”


O empresário conta que esteve há 20 dias com Bolsonaro e que o presidente é sensível às reivindicações do agronegócio. “Falamos para ele da necessidade de suplementar R$ 3 bilhões para o Moderfrota até o começo do novo planto safra (1ºde julho).”


Mas ressalta que, depois disso, o governo já remanejou R$ 470 milhões e o Banco do Brasil colocou mais R$ 500 milhões para financiar máquinas agrícolas. “Então hoje seriam R$ 2 bilhões”, calcula.


Maiko Zanella, analista técnico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), diz que a entidade também aposta no apoio do governo à agricultura. “Pelas conversas que a gente tem com a ministra da Agricultura (Tereza Cristina) acredito que os recursos serão mantidos.” Ele ressalta que não é a primeira vez que os recursos do Moderfrota acabam nesta safra e que já houve remanejamentos de verbas.


Segundo o analista, o fato de os juros estarem baixos fez com que os produtores aproveitassem uma demanda represada em equipamentos. “E os recursos programados antes da safra não foram suficientes para os investimentos.”


Da mesma forma, o gerente-geral da Horizon (concessionária John Deere), Milton Garcez, disse que o fim da verba do Moderfrota já era esperado. “Estávamos recebendo algumas informações de que o recurso estava escasso. Nós estamos confiantes que nos próximos dias haverá liberação de novos recursos ou novas linhas de financiamento serão abertas.”


Garcez acredita que o problema será resolvido até o início da Agrishow, maior feira de maquinário agrícola do País, que tem início dia 29 de abril, em Ribeirão Preto.


AS LINHAS

As duas linhas de crédito oferecem empréstimos com juros subsidiados, sempre em operações indiretas, repassadas por bancos comerciais credenciados. No caso do Moderfrota, os financiamentos são para aquisição de tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e equipamentos para beneficiamento de café.


Os juros são pré-fixados, de 7,5% ao ano (para empresas com faturamento anual até R$ 90 milhões) ou de 9,5% ao ano (faturamento anual acima de R$ 90 milhões). Os empréstimos podem ser de até 90% do valor investido. O prazo é de sete anos, com carência de até 11 meses, para equipamentos novos, e de quatro anos, com a mesma carência máxima, para itens usados.


No caso do Inovagro, os empréstimos são para incorporação de inovações tecnológicas nas propriedades rurais, visando ao aumento da produtividade e melhoria de gestão. Os juros podem ser pré-fixados em 6,0% ao ano, ou pós-fixados, compostos por atualização monetária mais 0,33% ao ano. Nesses investimentos, o banco de fomento pode financiar 100% dos projetos. O prazo pode ser de até dez anos, com carência de três. (Com Vinicius Neder, da Agência Estado)

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