Rio de Janeiro - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não detectou qualquer movimento no sentido de cancelamento ou mesmo adiamento de investimentos no o setor sucroalcooleiro, cuja concessão está em análise na instituição.
''Não há hoje na carteira que o BNDES tem em análise no banco, que é bastante expressiva, nenhuma notícia ou caso de desistência de solicitação de empréstimos. São inúmeros projetos e alguns com valores de financiamento muito expressivo. Essa é a notícia que eu acho mais relevante'', afirmou superintendente da Área Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Júlio Ramundo.
Segundo ele, porém, com a situação difícil e momentânea como a que vive o mundo hoje é natural que haja adiamentos de planos de investimentos. ''Porque estamos falando de vultosas quantias. Independente disso, a sinalização que nós do BNDES temos dado às empresas é de crença muito grande no futuro do etanol - e isto não mudou em absoluto.''
Em sua avaliação a crise afeta todos os setores, há falta de crédito generalizado e várias cadeias da economia estão sofrendo. Obviamente que o setor de açúcar e de álcool também, uma vez que ele já vinha de uma situação de preço que não era das mais favoráveis desde o ano passado e na crise isto se agravou, admitiu.
Ramundo fez as declarações na última semana, quando o BNDES liberou para a imprensa, detalhes do livro Bioetanol de Cana-de-Açúcar - Energia para o Desenvolvimento Sustentável, que a instituição lança hoje, no Seminário Internacional sobre Biocombustíveis, em São Paulo.
Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do Departamento de Biocombustíveis, lembrou que os crescimentos anuais dos desembolsos do BNDES têm sido da ordem de 80% em todo o complexo sucroalcooleiro. Juntando os produtos que o BNDES ofereceu ao setor no ano passado, o desembolso foi da ordem de R$ 3,6 bilhões.
Este ano dados até outubro indicam uma participação do complexo sucroalcooleiro da ordem de 7,5%. Foram desembolsados R$ 70 bilhões e o setor representou R$ 5,2 bilhões. Cavalcanti adiantou que o banco tem hoje mais de 70 projetos na Carteira do Departamento de Bicombustíveis.

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