BNDES registra prejuízo recorde no 1º semestre
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terça-feira, 30 de setembro de 2003
Agência Folha 
Rio O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve no primeiro semestre do ano o maior prejuízo de sua história: R$ 2,2 bilhões. A principal causa foi a inadimplência do grupo AES, relativa ao financiamento de R$ 3,2 bilhões. Se a AES, proprietária da Eletropaulo, tivesse pago o financiamento que recebeu para comprar a distribuidora de energia, em 1998, o banco teria lucro de R$ 855 milhões.
''Esse prejuízo é o maior da história em 52 anos do banco'', afirmou o o seu diretor financeiro, Roberto Timótheo da Costa. Em dezembro de 2002, o banco apresentou lucro de R$ 550 milhões, porque, naquele período, o banco simplesmente fazia a rolagem dessa dívida.
No primeiro semestre, o banco provisionou no total R$ 6,4 bilhões relativos às empresas que não estão pagando o financiamento e outros R$ 2,2 bilhões relativos às empresas adimplentes.
Segundo o diretor da área financeira do banco, José Roberto Fiorencio, além da AES outras seis empresas estão na pior variação de risco, com 100% do financiamento provisionado.
Apesar de um prejuízo de R$ 2,4 bilhões até junho deste ano, o BNDES conseguiu, no bimestre entre julho e agosto, obter lucro superior a R$ 300 milhões. No acumulado até agosto, porém, o banco tem prejuízo de R$ 2,1 bilhões.
Timótheo da Costa explicou que, a partir do segundo semestre, o banco entrou em uma nova fase, pois não precisa mais fazer as provisões relativas à AES. Isto porque, em junho, o banco contabilizou como prejuízo toda a dívida da AES. O executivo estima que o banco feche o ano de 2003 com um lucro de cerca R$ 390 milhões caso a negociação com o grupo AES seja efetivamente fechada.
Atualmente, o banco estatal avalia a situação econômico-financeira das empresas envolvidas na negociação com a AES - Eletropaulo, Uruguaiana e Tietê - e também da condição técnica e operacional delas.
No início do mês, BNDES fechou um acordo com a AES. Pelo acordo, o banco estatal renuncia aos dividendos, no valor de US$ 1,2 bilhão. Em troca, o banco recebe US$ 600 milhões em ações da Novacom, empresa que terá como controladas a AES Tietê, a Eletropaulo e a AES Uruguaiana. O restante será pago quando essas empresas passarem a dar lucro.
É necessário, segundo o banco, que até o dia 15 de dezembro o grupo norte-americano recompre ações que foram emitidas como garantia em captações externas, no valor de cerca de US$ 300 milhões. Esses mesmos papéis serviram também como garantia para o BNDES. A estatal espera que essa negociação seja fechada até o início de dezembro para poder limpar a dívida da AES do balanço do ano.


