Rio de Janeiro - O segmento industrial de máquinas e equipamentos de produção em série responde por 5% de todos os investimentos do País, conclui estudo elaborado pelo diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Antonio Barros de Castro. Com base neste dado, ele defende uma política especial para o setor, com redução de impostos e condições diferenciadas de financiamento, por um período de dois a três anos, para que a economia alcance mais rapidamente o ritmo de crescimento sustentado perseguido pelo governo, superior a 5% ao ano.
''Podemos crescer por aí, dando um salto qualitativo. A isto se chama tática de crescimento'', disse Castro, depois de participar do painel sobre política industrial e tecnológica, no XVII Forum Nacional, no BNDES. Na palestra, ele chamou países de economia continental, como o Brasil, de ''velhas baleias gigantes''. E, dentre as baleias, a economia brasileira seria uma das mais lentas, embora tenha destacado o ganho de produtividade e o crescimento do agronegócio em pleno período de estagnação, nos anos 80 e 90. ''Mas as empresas no Brasil não completaram sua evolução'', sentenciou, comentando que o País inseriu-se ''lateralmente'' na competição global, quando promoveu a abertura econômica.
Barros de Castro detalhou que o estudo no qual trabalha, que já foi encaminhado ao presidente do BNDES, Guido Mantega, destaca que 33% da atual taxa de investimento (formação bruta de capital sobre o PIB), que está em 20%, refere-se aos chamados bens de capital. Os outros dois terços do investimento são referentes ao setor de construção. Dentro dos bens de capital, o consumo aparente (produção nacional e importação) de máquinas e equipamentos produzidos em série corresponde a 75%.
''Isso equivale a dizer que 25% dos investimentos em bens de capital são de máquinas e equipamentos'', diz. Por este mesmo raciocínio, adianta, pode-se atribuir ao segmento 5% dos investimentos totais do País. ''Se conseguirmos aumentar em 1% a taxa de investimentos centrada em máquinas e equipamentos, então estaremos aumentando em 20% a taxa total de investimento. Estou falando de incentivo à produção e absorção desses bens, que pode ser, inclusive, redução de impostos. Não pode ser para sempre, é lógico. Mas, o suficiente para dar fôlego à economia'', defende o economista.

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