BNDES prevê alta no investimento produtivo
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domingo, 01 de outubro de 2006
Márcia De Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - O investimento produtivo das empresas na construção de fábricas e ampliação da capacidade de produção das já existentes deve voltar a crescer na casa de dois dígitos ao ano entre 2007 e 2010, o que não se via há duas décadas. A maior parte dos recursos será voltada para os setores de bens intermediários e de commodities, como petróleo, mineração, siderurgia, celulose e petroquímica. Este é o resultado preliminar de um levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que será concluído em novembro. A pesquisa foi solicitada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando presidia o BNDES.
O baixo nível de investimento na economia brasileira, que no segundo trimestre deste ano correspondeu 20,1% do Produto Interno Bruto (PIB), é hoje uma das principais travas ao crescimento e o grande desafio para o próximo governo.
Para chegar a conclusão de que o ritmo de investimento na economia vai ganhar fôlego nos próximos anos, os técnicos do BNDES reuniram dados sobre os pedidos de financiamentos das empresas, os desembolsos da carteira de crédito do próprio banco e consultas realizadas a entidades setoriais e às próprias empresas. O escopo dos dados corresponde a cerca de 25% do investimento (Formação Bruta de Capital Fixo) da indústria de base e de infra-estrutura, observa o superintendente da Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES, Ernani Teixeira Torres Filho.
Os resultados são muito auspiciosos, na casa de dois dígitos ao ano na taxa de crescimento. Isso indica que o investimento nos próximos quatro anos terá uma aceleração substancial, diz Torres Filho, sem revelar números. Entre 1982 e 2002, o investimento praticamente não cresceu. A taxa foi de 0,08% ao ano, observa o economista.
A taxa anual de dois dígitos de crescimento foi obtida a partir de uma comparação feita entre o volume total de investimentos programados pelas empresas entre 2007 e 2010 em relação ao período 2002 e 2005.
Commodities - Torres Filho destaca que os investimentos para os próximos quatro anos estão concentrados no setor de commodities e bens intermediários. Os investimentos em petróleo, gás, mineração, siderurgia, celulose e petroquímica vão explodir, prevê com base nos dados coletados. São setores intensivos em capital, cujas plantas de produção são enormes e consomem dezenas de milhões de dólares para serem erguidas.
O economista ressalta que fatores determinantes para impulsionar um grande pacote de investimentos voltados à produção de commodities e bens intermediários são setoriais. No caso da siderurgia e da celulose, por exemplo, está ocorrendo uma migração das fábricas do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul, onde as vantagens competitivas são maiores.


