Brasília - O BNDES quer reduzir em 1 ponto percentual o spread (diferença entre a taxa de captação do banco e o juro cobrado no empréstimo ao tomador) de suas operações de financiamentos. A proposta foi apresentada ontem durante reunião na Confederação Nacional da Indústria (CNI) para discutir a política operacional do BNDES.
Com essa redução, o spread do banco que varia entre 2 e 7,5 pontos percentuais oscilaria entre 1 e 6,5 pontos percentuais. De acordo com o vice-presidente do BNDES, Darc Antonio da Luz Costa, o banco também pretende equalizar a taxa de risco das operações, que hoje variam entre 0,1% e 4,5%, para uma taxa única de 1,5%.
O presidente do banco, Carlos Lessa, destacou que o banco pretende aumentar suas operações com o setor industrial e que por isso a reunião de ontem foi importante para ouvir as proposta da indústria. De acordo com Lessa, um dos projetos apresentados pelo BNDES diz respeito à definição de prazo para a análise dos projetos a serem financiados, o que, segundo ele, dará previsibilidade ao tomador sobre quanto tempo irá levar uma análise de um pedido de crédito.
A proposta apresentada pelo BNDES prevê um total de até 210 dias entre a apresentação do projeto e a contratação da operação. Segundo Lessa, quando ele assumiu o BNDES havia projetos que estavam em análise desde 1997.
O BNDES deve receber um aporte de recursos do Tesouro Nacional até o final deste ano, segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. O banco teve prejuízo de R$ 2,1 bilhões de janeiro a agosto deste ano por conta da dívida da AES, que o obrigou a fazer um provisionamento de R$ 3,2 bilhões. A provisão é uma quantia reservada pela empresa em seu balanço para cobrir eventuais perdas, como é o caso da dívida da AES. Sem socorro do Tesouro, o banco corre o risco de ter de diminuir o volume de recursos emprestados.
Segundo Furlan, a provisão de R$ 3,2 bilhões poderá ser revertida se o acordo que está em andamento com a AES der certo. De acordo com ele, o banco não precisa de recursos em dinheiro, mas de aumento do capital, para que não fique desenquadrado nas regras de Basiléia. Uma das alternativas que vêem sendo estudadas, segundo Furlan, seria a transformação de dívidas do banco com o Tesouro em crédito.

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