BNDES poderá financiar primeiro alcoolduto do País
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Gustavo Porto 
Ribeirão Preto - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será o principal agente financeiro dos R$ 5,7 bilhões previstos de investimento no Sistema Integrado de Transporte de Etanol da PMCC, o primeiro alcoolduto do mundo ''Pedimos o máximo de financiamento possível, mas o valor (liberado) depende do setor e do índice de nacionalização, que deve ser próximo aos 100%'', disse Alberto Guimarães, presidente da PMCC, empresa responsável pela obra que tem a Petrobras entre os sócios
A obra terá 850 quilômetros de dutos entre Senador Canedo (GO), Paulínia (SP), São José dos Campos (SP) e portos nos litorais paulista e fluminense O início simbólico do primeiro trecho, de 202 quilômetros entre Ribeirão Preto (SP) e Paulínia (SP), ocorre hoje, em uma cerimônia na cidade do interior paulista que é o principal polo produtor do combustível do País O evento terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Segundo Guimarães, os pedidos de recursos junto ao BNDES serão feitos por trechos do alcoolduto e o valor ainda está em fase de negociação com o banco de fomento ''Queremos o máximo'', reafirmou O primeiro trecho do duto iniciará a operação entre junho e agosto de 2012 e custará R$ 800 milhões Seis meses depois, outro trecho, de Ribeirão Preto a Uberaba (MG), também escoará etanol
A obra deve escoar 21 bilhões de litros de etanol, volume próximo à produção atual do Centro-Sul do País e prevê ainda a construção de tanques para armazenar 550 milhões de litros do combustível nas regiões dos pontos coletores As tarifas de transporte do etanol ficarão entre 50% e 90% do custo da cobrada pelos caminhões tanque ''Quando depreciamos o investimento esse valor cairá consideravelmente; e, obviamente, quem transporta mais, percorre mais distância e firma contratos longos terão tarifas mais baixas'', disse Guimarães
O executivo explicou também que a PMCC, empresa inicialmente formada pela Petrobras, pela trading Mitsui e pela Camargo Correa, irá mudar de nome em até 60 dias Além da saída da Mistui, que não viabilizou os planos de exportar etanol ao Japão, a PMCC conseguiu se unir a outras empresas que tinham projetos de dutos em um único empreendimento
Com isso, o desenho societário da PMCC tem a Petrobras, Cosan/Shell , Copersucar e Odebrecht/ETH, com 20% cada, a Uniduto e a Camargo Corrêa, com 10% cada ''Obviamente que teremos um novo nome, definido pelos sócios, mas o projeto inicial da PMCC está mantido'', disse As empresas assinarão também amanhã o contrato de associação entre elas O projeto previa a exportação prioritária de etanol, mas com o crescimento do mercado interno e a disparada nas vendas de veículos flex fuel o consumo local será a meta principal da obra
Entre 2014 e 2015, quando todo o sistema estiver finalizado e os dutos estiverem cheios de etanol, será possível ao produtor entregar o combustível em Goiás e o cliente recebê-lo em Paulínia em 48 horas ''Haverá um sistema único de segregação de qualidade do combustível, com um produto qualificado já na captação'', concluiu Guimarães


