BNDES pode financiar compra de papel imprensa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, defendeu ontem um programa especial de financiamento para as empresas da mídia impressa adquirirem papel de imprensa, desde que essa matéria-prima seja produzida no Brasil. ''Assim estaríamos também estimulando mais investimentos no País'', disse Lessa, ressalvando que se tratava da sua opinião, já que o banco ainda está discutindo a forma de financiamento para o setor de comunicação.
Em audiência pública da Comissão de Educação do Senado, Lessa reafirmou que não há decisão sobre a possibilidade de a instituição emprestar recursos para o refinanciamento de dívidas do setor. No final de março, o vice-presidente do banco, Darc Costa, havia informado, durante um debate sobre o assunto na mesma Comissão de Educação do Senado, que o programa de financiamento para as empresas de mídia eletrônica e mídia impressa seria de até R$ 4 bilhões.
O setor acumula dívida de R$ 10 bilhões, de acordo com levantamento preliminar feito pelo BNDES. Cerca de R$ 6 bilhões são das Organizações Globo. Além de Lessa, dirigentes e representantes de jornais impressos também participaram ontem do debate, que durou cerca de três horas.
A defesa aberta de financiamentos para a reestruturação das dívidas das empresas de comunicação foi feita pela líder do PT no Senado, Ideli Salvati (PT-SC). ''Não devemos ter prurido ideológico nessa discussão, temos é de ter clareza e transparência'', afirmou. Para o diretor da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Paulo Tonet Camargo, não se trata apenas de pensar nos grandes jornais, mas em cerca de 2,9 mil jornais que são, em sua maioria, pequenos e médios.
O presidente do BNDES destacou que o papel de imprensa é cotado em dólar, o que significa um custo alto para os jornais num momento de baixo crescimento econômico. ''É inegável que o setor se encontra fragilizado, já que, com a economia em ritmo mais lento, o volume de publicidade cai'', destacou Lessa, enfatizando preocupação com a entrada de capital estrangeiro nesse setor. ''É um setor que tem de ser preservado em mãos de brasileiros'', defendeu.
Na próxima semana, Lessa informou que deverá encaminhar ao presidente da comissão, senador Osmar Dias (PDT-PR), as linhas principais de sua proposta para os financiamentos à mídia.


