Rio de Janeiro - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi a instituição financeira com maior lucro líquido do País nos três primeiros meses do ano. Segundo balanço do banco estatal de fomento, o lucro líquido atingiu R$ 1,099 bilhão no período de janeiro a março, o que supera o lucro acumulado em todo o ano passado, quando atingiu R$ 1,037 bilhão, que já havia sido o maior da história do banco. O maior lucro trimestral divulgado até agora era do Itaú, com R$ 876,1 milhões, seguido do Banco do Brasil (R$ 616 milhões) e Bradesco (R$ 608,7 milhões).
Nos três primeiros meses do ano passado, o BNDES contabilizou prejuízos de R$ 370 milhões, principalmente devido às provisões que o banco fez para fazer face à dívida de US$ 1,2 bilhão do grupo AES/Eletropaulo. Essa dívida foi renegociada ao longo do ano, com as provisões sendo revertidas e permitindo que o banco contabilizasse lucro em 2003.
Boa parte dos ganhos no trimestre resultou de reversão de impostos, que gerou um ganho para o banco de R$ 560 milhões. Além disso, o banco teve um ''ganho fiscal diferido'' no montante de R$ 818 milhões, conforme dados do balanço. Os ganhos operacionais também foram expressivos, ao contrário do observado no primeiro trimestre de 2003. Para uma receita de intermediação financeira de R$ 3,495 bilhões o banco teve despesas de R$ 3,262 bilhões no período, o que gerou resultado positivo de intermediação financeira de R$ 233 milhões. Ao todo, o resultado operacional do banco no trimestre alcançou R$ 531 milhões, em contraposição ao prejuízo de R$ 193 milhões contabilizados nessa rubrica em igual período do ano passado.
Apesar do lucro maior, o banco distribuirá menos dividendos ao Tesouro Nacional, controlador do banco. Até o ano passado o BNDES estava obrigado a distribuir 100% dos dividendos, mas a partir deste ano a distribuição caiu para 25% visando a melhorar os índices de capitalização da instituição. Com isso, o patrimônio líquido do banco aumentou para R$ 14 bilhões, o que torna o BNDES o maior banco do País por esse critério.
Pelo acompanhamento do Banco Central, o Bradesco ocupava a segunda posição em março, com R$ 13,6 bilhões, seguido do Itaú (R$ 13,4 bilhões), Banco do Brasil (R$ 12,7 bilhões) e Caixa Econômica Federal (R$ 6,1 bilhões). Em termos de ativos totais, a liderança continua sendo do Banco do Brasil (R$ 231 bilhões), seguido de Caixa (R$ 159 bilhões), enquanto o BNDES encerrou o trimestre passado com ativo total de R$ 157,4 bilhões.

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