RIO - Os desembolsos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em operações diretas com os setores industrial, de comércio e de serviços, somaram R$ 2,2 bilhões no ano passado, valor 67% superior ao de 1995. Para este ano, as estimativas indicam que os desembolsos chegarão a cerca de U$ 3 bilhões, ou 36% a mais do que em 96.
Essas operações referem-se apenas a projetos de grande porte, que são os que o BNDES financia diretamente. Não incluem, portanto, as operações indiretas, de menor porte (até R$ 5 milhões), feitas por intermédio de agentes financeiros, e que são a maioria. Também não entram nestas contas os empréstimos para o setor de máquinas e equipamentos, dados pela Finame, subsidiária do BNDES.
Segundo o diretor da Área Industrial do BNDES, Eduardo Rath Fingerl, os setores que mais receberam dinheiro do BNDES no ano passado foram o químico, que teve R$ 379 milhões, ou 113% a mais do que em 1995; papel e celulose, R$ 376 milhões, ou 135% sobre o ano precedente; agroindústria, R$ 281 milhões e 99% de aumento; mineração/metalurgia, R$ 252 milhões e 140%; e siderurgia, R$ 221 milhões e crescimento de 22%.
De acordo com Fingerl, as áreas industriais do BNDES participaram, no ano passado, da criação de vários programas de financiamento, que já estão em operação. Entre eles figura o de apoio à indústria de autopeças, que vem se ressentindo da mudança no modelo de relacionamento com as montadoras de veículos.
Um dos programas de maior êxito é o dirigido ao setor coureiro-calçadista, em dificuldades principalmente por causa da concorrência de produtores estrangeiros desde que a economia brasileira foi aberta. Até o final do ano, a demanda por recursos foi de R$ 158 milhões - o valor, em comparação com as grandes cifras geradas no banco, não parece alto, mas o que está animando o BNDES é que foram concluídas cerca de 250 operações de financiamento, o que significa que são pequenas e médias empresas que estão recorrendo ao programa. E é isso, justamente, o que o BNDES quer.

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