O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou cerca de 10 mil operações de crédito nos primeiros dez meses deste ano, no Paraná, o que corresponde a quase R$ 1 bilhão destinados principalmente para a indústria. O setor que mais financiou dinheiro foi o de telecomunicações com um total de R$ 243 milhões seguido da indústria automotiva com R$ 170 milhões. A ordem no BNDES, no entanto, é investir, a partir de agora, na liberação de recursos para a área social. A meta é fazer com os projetos sociais cresçam pelo menos 39% nos próximos cinco anos, enquanto que na indústria o aumento é de 4% ao ano.
O presidente do BNDES, Francisco Gross, afirmou ontem que o setor social ficou preterido nos últimos anos. ‘‘É a área que tem recebido menos recursos. Por isso é a que mais vai crescer’’, ressaltou. Sem citar números, Gross disse que não é necessário injetar tanto dinheiro nos projetos sociais para que eles surtam efeito.
Francisco Gross esteve em Curitiba a convite da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para dar palestra a empresários. Ele apresentou o potencial que o banco tem para investir. Somente neste ano, o orçamento global da entidade financeira foi de R$ 24 bilhões, sendo que o principal programa, o Finame, teve R$ 6 bilhões. ‘‘O Finame tem uma correção de TJLP mais 1% até 3% ao ano’’, disse o diretor de Crédito do BNDES, Darlan Doria, que acompanhou Gross na visita a Curitiba.
O presidente do banco afirmou ainda que a meta é impulsionar os financiamentos, fazendo com que a contrapartida dos empresários aumente em 50% nos próximos anos. Para cada um real financiado pelo banco, o empresário colocaria 1,5 real e não apenas um real, como é hoje.
Francisco Gross disse que outra prioridade é tornar o crédito acessível aos pequenos e médios empresários. Um levantamento feito pela Fiep junto ao posto do BNDES indicou que 80% do crédito liberado foi para as pequenas empresas, disse o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho.
Antes de vir a Curitiba, Gross declarou, no Rio de Janeiro, que o BNDES poderá aumentar seu capital, reduzindo o repasse de dividendos ao Tesouro Nacional. Isso será adotado para que o banco se enquadre nas regras do Conselho Monetário Nacional.

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