BNDES financiará capital de giro com R$ 2,5 bi
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá R$ 2,5 bilhões para financiar capital de giro. O desenho geral dessa nova linha de crédito, chamada Programa de Geração de Produção e Emprego (Progepem) foi aprovado ontem durante a reunião do conselho do banco. As empresas que cumprirem metas de geração de emprego e aumento do faturamento pagarão menos juros, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.
Do total a ser emprestado, R$ 1,2 bilhão será destinado a financiamentos de grandes empresas e R$ 1,3 bilhão atenderá a pequenas e médias empresas. O BNDES ainda está detalhando as características desse programa, que deverá ser oferecido nos próximos dias. Segundo Furlan, trata-se de um programa emergencial, que durará apenas quatro meses.
No caso das grandes empresas, os empréstimos serão atrelados a metas de geração de emprego. O BNDES emprestará até R$ 100 milhões, corrigidos pela variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais um spread de 11%. Esse spread cairá para 5,5%, caso a meta de geração de emprego seja alcançada. O cumprimento será acompanhado pelo Ministério do Trabalho.
Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes de Almeida, a linha se destina a atender ''setores selecionados'' da economia. São aqueles em que há capacidade ociosa a ser ocupada, como o de vestuário, farmacêuticos e de bebidas e refrigerantes. A lista ainda está sendo elaborada pelo BNDES. Os setores que estão com sua capacidade esgotada deverão recorrer às outras linhas de crédito do BNDES para financiar novos investimentos. A linha atenderá também a empresas autogestionárias, aquelas em que a administração foi assumida pelos empregados.
Furlan citou como exemplo de possível beneficiária uma fábrica de contêineres em Santos. Hoje ela está paralisada, mas com injeção de capital de giro, poderia gerar 600 empregos e produzir 12 mil contêineres ao ano.
O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, avaliou que o capital de giro é importante principalmente para as micro e pequenas empresas. Ele lembrou que, em muitos casos, elas podem ampliar a produção e atender ao aumento do consumo sem novos investimentos. Basta a elas um pouco mais de capital para adquirir insumos. No caso das pequenas e médias empresas, a meta será aumento do faturamento. Caso ela seja cumprida, o spread cairá de 5,5% para 3,5%.
As microempresas poderão tomar até R$ 100 milhões, enquanto as médias poderão tomar R$ 500 mil e as grandes, R$ 4 milhões. Essa linha atenderá prioritariamente a empresas autogestionárias e aquelas integrantes de arranjos produtivos locais (um aglomerado de microempresas em que é feito trabalho em conjunto).


