BNDES favorece grandes, diz Suplicy
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Agência Estado 
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está contribuindo para aumentar a concentração de riqueza no País e tem sido ineficiente na criação de novos postos de trabalho, segundo concluiu o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), com base no perfil dos financiamentos concedidos pela instituição nos últimos três anos. Mais de 95% dos recursos do BNDES tem sido destinados a empresas de grande porte, quando são as micro e pequenas empresas as maiores geradoras de emprego, disse.
O senador acredita que, diante do crescimento do índice de desemprego, que atingiu 7,42% da população economicamene ativa (PEA) em março, as aplicações do BNDES deveriam ser direcionadas para atividades com maior potencial para empregar mão-de-obra. Mas isso não vem ocorrendo nem mesmo com os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que são repassados ao banco, denunciou Suplicy. Em 1996, 25% dos R$ 156 milhões originários do FAT foram aplicados pelo BNDES em micro, pequenas e médias empresas. Em 1997, elas receberam 2% de R$ 226 milhões do FAT.
O BNDES recebe 40% do dinheiro arrecadado com as contribuições do Pis-Pasep, que formam o FAT, para financiar projetos de investimento geradores de emprego e renda. Suplicy acredita que os representantes dos trabalhadores nos conselhos de administração do FAT (Codefat) e do BNDES não estejam conseguindo ter voz nas decisões.
De acordo com as informações fornececidas ao senador pelo próprio BNDES, a concentração dos créditos em projetos de grandes empresas é ainda maior quando se considera a aplicação dos recursos próprios do banco. Em 1997, somente 1% dos quase R$ 6 bilhões aplicados com recursos próprios foi destinado a micro, pequenas ou médias empresas. Eduardo Suplicy observou que, segundo dados do Serviço de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa (Sebrae), as empresas de menor porte empregam 43,4% da mão-de-obra do País.
Em resposta a um pedido de esclarecimentos, o BNDES informou que o número de empregos gerados pelos créditos concedidos pela instituição cresceu 46%, passando de 2,24 milhões em 1996 para 3,27 milhões em 1997. Mas Suplicy observou que esse crescimento não acompanhou o aumento no valor dos desembolsos do banco estatal, que foi de 71% nesse mesmo período. Em consequência disso, no ano passado, cada emprego gerado em projetos financiados pelo BNDES correspondia a um desembolso de R$ 8 mil, quando em 1995 apenas R$ 4 mil eram necessários para gerar um posto de trabalho.


