Rio O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem um pacote de medidas para estimular os investimentos e ajudar a dar um ''choque de produtividade'' na indústria. O grupo de medidas inclui redução de juros (de 0,5 a 2 pontos porcentuais, conforme o caso), limite pré-aprovado para financiamento de grandes empresas e diminuição de algumas exigências, que beneficiarão também exportadores e pequenas empresas.
O presidente do banco, Guido Mantega, afirmou que a mudança foi decidida para elevar a competitividade das empresas brasileiras. Ele negou que as medidas tenham sido adotadas porque os desembolsos do banco no primeiro trimestre representaram apenas 15% da meta de liberações de R$ 60 bilhões prevista para o ano.
As medidas, com validade até dezembro, envolvem redução de dois pontos porcentuais do spread (diferença entre custo de captação e de empréstimo do dinheiro) cobrado no financiamento de caminhões. Neste caso, o custo total cairá de 17% para 15% ao ano. O juro alto do programa Modercarga, criado pelo banco para renovar a frota de caminhões do País, era um dos principais motivos citados pelos empresários do ramo para explicar o fracasso do projeto.
Já para as linhas de máquinas e equipamentos, também alvo de uma linha específica de crédito, o Modermaq, com desempenho igualmente insatisfatório, o spread do BNDES encolherá de 1,25 para 0,25 ponto porcentual, reduzindo o custo total de 14,95% para 13,95% ao ano. O nível de participação do banco nos financiamentos em pesquisa e desenvolvimento subirá de 65% para 100%.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton Mello, disse que, ''a redução sinaliza a importância do investimento produtivo para o governo, quando ele mesmo abre mão das suas margens''.
O pacote também engloba medidas para o comércio exterior, como a redução em 0,5 ponto (de 2% para 1,5% ao ano) nos juros para linhas voltadas à exportação e a diminuição da fatia da correção por moedas dos empréstimos para exportações de 40% para 20% do total (o restante continua corrigido pela TJLP). Nas linhas do banco, subiu ainda o aumento do financiamento de capital de giro nas operações de investimento de micro, pequenas e médias empresas.
Também foi confirmada a criação de uma espécie de crédito pré-aprovado, até R$ 900 milhões, para empresas com mais de cinco anos de relacionamento com o banco e consideradas de baixo risco.

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