"Nós agora não estamos olhando para os setores, estamos olhando para os tipos de projetos", afirmou a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques
"Nós agora não estamos olhando para os setores, estamos olhando para os tipos de projetos", afirmou a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques | Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou nesta quinta-feira (5) novas políticas operacionais e condições de financiamento que entram em vigor esta semana. A prioridade passa a ser a de conceder maiores incentivos, com financiamentos mais favoráveis com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 7,5% ao ano, a projetos de maior impacto para a sociedade, independentemente do setor. Segundo o banco, as novas diretrizes vão priorizar as áreas de saúde, educação, meio ambiente, micros, pequenas e médias empresas (MPMEs), exportação, infraestrutura e inovação.
"Uma busca nossa foi por ter uma atuação horizontal. O banco sempre atuou com setores com percentuais diferentes em TJLP, e sempre há críticas e insatisfações. Nós agora não estamos olhando para os setores, estamos olhando para os tipos de projetos, e vamos priorizar o uso de TJLP em projetos com atributos em saúde, inovação, educação, com impacto ambiental positivo", afirmou a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques.
Para aprimorar a mensuração dos impactos dos projetos para a sociedade, o banco criou um Departamento de Monitoramento e Avaliação. Todos os projetos, segundo a instituição, terão um quadro de resultados no qual serão definidas, previamente, metas a serem alcançadas nos empreendimentos financiados.

CAPITAL DE GIRO
O banco também divulgou nesta quinta-feira mudanças em seu Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren). A partir de agora, as empresas poderão acessar essa linha diretamente no próprio BNDES, ou seja, sem ter de pagar a taxa de intermediação para os bancos de varejo. Em compensação, a taxa cobrada pelo BNDES, que era de 2,1% ao ano, agora pode chegar a 6,55%.
Pequenas e médias empresas com faturamento anual de até R$ 90 milhões pagarão 7,5% ao ano (TJLP) mais a taxa do banco, o que pode levar a um total de 14,06% ao ano. Para as médias, com faturamento anual entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões, serão 50% de taxa TJLP e 50% de taxa de mercado, mais taxa do BNDES. Empresas maiores podem buscar capital de giro diretamente no banco estatal, mas pagarão 100% de taxa de mercado. O valor mínimo de financiamento do Progeren direto será de R$ 10 milhões por operação.
O problema é que, para acessar o financiamento direto, as empresas terão de cumprir duas exigências. Precisarão ter balanço auditado por auditoria independente cadastrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E ainda terão de comprovar que o resultado da divisão de sua renda líquida pelo Ebitda (indicador que mostra o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) seja igual ou menor que 4.
"São poucas as pequenas e médias empresas que poderão cumprir. São exigências altas que o BNDES está fazendo para compensar o risco de emprestar diretamente às empresas", afirma o consultor financeiro Maicon Putti, da Ideia Consultoria. Segundo ele, as empresas terão de comprovar uma alta capacidade de geração de caixa e ter endividamento muito baixo. "Estão passando a régua lá em cima", compara.
O diretor financeiro da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rodolfo Zanluchi, concorda. "Para as pequenas empresas da nossa região será difícil acessar esse benefício diretamente no BNDES até mesmo porque o valor mínimo é de R$ 10 milhões." Embora ressalve que "toda ajuda é bem-vinda", o diretor afirma que seria importante buscar atingir as empresas do Simples Nacional, que faturam até R$ 3,6 milhões. "São elas que precisam mais. Estão longe das linhas de crédito com juros mais favoráveis. Quando vão ao banco, ou encontram taxas altas ou encontram as portas fechadas", destaca.
De acordo com a assessoria do BNDES, as empresas que não "apresentem o indicador financeiro descrito" terão a opção de apresentar fiança bancária como garantia para acessar o Progeren. (Com Agência Brasil)

mockup