BNDES deve reduzir investimentos e ampliar serviços
Novo presidente do banco, Gustavo Montezano, promete fazer uma reestruturação na instituição
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quarta-feira, 17 de julho de 2019
Novo presidente do banco, Gustavo Montezano, promete fazer uma reestruturação na instituição
Das agências 

Brasília - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai passar por uma reestruturação de seu papel, com atuação mais voltada à assessoria financeira do setor público e menos a investimentos, afirmou nesta terça-feira (16) o novo presidente do banco, Gustavo Montezano.
A intenção é que o banco atue como um consultor financeiro na estruturação e modelagem de projetos de saneamento, concessões de infraestrutura, privatizações e na assessoria para o poder público. "O banco quer se posicionar menos como um banco de empréstimos e investimentos e mais como um banco de serviços, como um assessor financeiro", disse.
A intenção é que os serviços do banco sejam ofertados ao governo federal e também a estados e municípios, em troca de remuneração. "Vamos usar o conhecimento do BNDES, o corpo técnico qualificado que tem lá para auxiliar os clientes na modelagem financeira. É o famoso assessor financeiro", disse.
Montezano afirmou que o nível de empréstimos a serem concedidos deve diminuir em relação a gestões anteriores e ficar em um patamar de R$ 70 bilhões. Apesar disso, o montante ainda final ainda será discutido. Em 2017 e 2018, os desembolsos do banco ficaram em torno de R$ 70 bilhões. Mas até 2015 o montante ficava acima de R$ 135 bilhões.
O executivo disse esperar que, no futuro, o lucro do BNDES deve ser menor do que o registrado no passado, mas com um retorno maior à sociedade.
"Se for por nível de desembolsos, vai ser [um banco] menor. Se for medir o quanto está impactando o Brasil, não. Acredito que o BNDES terá capacidade de impactar muito mais o Brasil do que fez nos últimos anos", afirmou.
Caixa preta
Montezano disse ainda que a imagem do banco de fomento hoje é questionada e lembrou que a instituição vive de credibilidade. Segundo ele, as dúvidas sobre a chamada "caixa preta" do BNDES atrapalham a formação de estratégia do banco.
"Com foco empresarial, é importante termos uma explicação sobre a caixa preta do BNDES, como marco zero. Precisamos tirar essa nuvem negra de cima do banco", avaliou. "Tenho o dever de investigar todo e qualquer tema que bloqueie o banco de desenvolver sua estratégia de serviços", acrescentou.
Montezano disse não ter uma opinião formada ainda sobre o tema, mas garantiu que coordenará pessoalmente esse processo. "As informações são completamente desencontradas. Em dois meses devo formar uma opinião sobre essa questão. Dois meses é um tempo curto, mas é importante fazer isso o mais rápido possível", respondeu.
Ele evitou adiantar qualquer ponto sobre essa varredura que deverá ser feita nas contas do banco e disse estar aberto a qualquer tipo de conclusão. "O que sairá disso eu prefiro não dizer agora. Nosso objetivo é ser transparente. Se, no final, alguém não ficar feliz ou contente, isso não vai nos forçar a revelar informações que não sejam consistentes."
O novo presidente do BNDES acrescentou que não assume o banco com a função de julgar gestões anteriores, mas com a missão de fazer a instituição se desenvolver. "Sou um executivo. Não sou juiz, nem político. Não vou entrar no mérito do que os outros presidentes fizeram, se foi errado, eu vou fazer do meu jeito", completou.
Para Montezano, apesar dos principais dados das operações do banco já estarem disponibilizados no site da instituição, é importante explicar essas informações para a população. "O que estamos nos propondo a fazer é explicar a caixa preta. Ainda paira uma dúvida substancial na cabeça de população e políticos sobre isso", concluiu.
O presidente do BNDES evitou comentar as investigações e conclusões da CPI do BNDES e da Operação Lava Jato sobre o banco.


