O vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e responsável pela área de privatização do Banco, José Pio Borges, disse ontem que as pesquisas realizadas pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) no sul do Pará, na região próxima a Carajás, confirmaram indícios de ouro no local. Mas, segundo ele, ainda é cedo para se falar em quantidades. De qualquer forma, ontem de manhã Pio Borges entrou em contato com o grupo líder do consórcio responsável pela avaliação econômico-financeira da Vale, o Merrill Lynch, solicitando reexame dos dados sobre os indícios de ouro e cobre na região para incorporá-las ao data room (sala de informações) da estatal, montado no BNDES. Ele descartou mudanças no modelo de privatização da estatal ou alterações no cronograma de venda.
‘‘A área é considerada pela Vale como promissora, e a empresa tem feito furos adicionais de pesquisa que reforçam a idéia que se trata de uma área promissora’’, disse Pio Borges, e completou: ‘‘Mas é exagero falar em novo Carajás.’’ O vice-presidente do BNDES informou que conversou durante a manhã com o presidente da Vale do Rio Doce, Francisco Schettino. Logo cedo, as ações da empresa chegaram a subir 4,2% nas Bolsas de Valores, e depois da divulgação da conversa de Pio Borges por Schettino, pela Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, o movimento de alta se arrefeceu.


Banco descarta
mudança no modelo e
no cronograma
de privatização



O presidente da CVRD disse a Pio Borges, segundo este último, que a empresa continua perfurando o local e que a área é promissora, mas a notícia é exagerada. Pio Borges contou que Schettino lhe garantiu que as conclusões da pesquisa no local ainda vão demorar algum tempo. Portanto, a Vale não tem condições, nesse momento, de dimensionar volumes.
Segundo Pio Borges, todos os dados novos sobre as descobertas da Vale serão incorporados ao data room para avaliação dos potenciais compradores. Ele descartou a hipótese de mudanças no modelo de privatização da Vale. Como disse, se durante o processo de privatização a Vale confirmar descoberta de ouro na região, o preço mínimo poderá ser alterado, mas ele não acredita que será uma mudança significativa. Em relação ao cronograma de privatização, não há mudanças à vista.
O vice-presidente do Banco disse, ainda, que um há consenso entre as maioria das empresas que frequenta o data room da Vale sobre a insuficiência de dados em relação à empresa. Por esse motivo, o BNDES está conversando com os executivos da CVRD sobre a possibilidade de incluir mais informações no data room. ‘‘Os grupos interessados querem mais detalhes sobre investimentos e informações da área fiscal, por exemplo’’, explicou Pio Borges.

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