Rio O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai receber um empréstimo de US$ 300 milhões do Japan Bank for International Cooperation (JBIC) este ano. Os recursos serão desembolsados no decorrer do ano, dependendo da necessidade da instituição brasileira, e serão direcionados a projetos de investimentos de empresas exportadoras. É a primeira captação do BNDES no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O BNDES vai pagar juros de Libor mais 1,625% pelo empréstimo, que foi feito em dólar - e não iene, como é costume nas operações com o JBIC - e sem a utilização de garantias da União, outra prática comum em financiamentos com organismos multilaterais. ''Fizemos tudo com garantias do banco'', disse o vice-presidente do BNDES, Darc Costa.
Segundo o superintendente da área financeira do banco, José Roberto Fiorêncio, o BNDES ainda tem para receber US$ 500 milhões de um programa de financiamento de US$ 900 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - US$ 400 milhões foram liberados no ano passado. O BNDES tem R$ 34 bilhões em recursos garantidos para cumprir o orçamento de 2003.
Dentro da nova filosofia do banco, diz Costa, os setores de infra-estrutura, exportação e aqueles de maior impacto na balança comercial terão prioridade nos desembolsos. Ele admite que serão criadas condições especiais para determinados setores e que vai haver uma valorização dos estudos setoriais. ''Temos de levar em conta a repercussão de ações de determinada empresa em todo o setor antes de conceder o financiamento'', avaliou.
O vice-presidente do banco informou que a criação de empregos será o primeiro ponto estudado na definição de que projetos serão beneficiados com os recursos. Para ele, os projetos não devem ser avaliados apenas sob a visão de negócio, mas de um banco de fomento, que deve prezar pelo desenvolvimento do País.
Em termos setoriais, os dados do BNDES indicam que o banco de fomento estatal continua privilegiando os mesmos segmentos. Os clientes da Embraer receberam R$ 295 milhões de recursos no mês passado, o que representa 16% do total desembolsado pela instituição.