Rio de Janeiro- A aprovação recorde de quase R$ 70 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos industriais e de infra-estrutura, em 12 meses no acumulado até fevereiro, deverá alavancar cerca de R$ 150 bilhões em investimentos nos próximos três anos. Para a instituição, trata-se de um novo ciclo empreendedor que praticamente dobrou a média histórica de aprovações, por projeto, de R$ 34 milhões, para R$ 60 milhões, outra marca histórica do banco.
''Os investidores estão perdendo o medo. Estão com mais confiança na expansão futura da economia. O BNDES está acompanhando esse processo'', afirma o assessor da diretoria de Planejamento do banco, Francisco Eduardo Pires de Souza. De acordo com ele, também aumentou o número de aprovações superiores a R$ 1 bilhão, antes do anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deverá ter impacto somente nos projetos aprovados a partir deste ano.
O grupo de telecomunicações Oi, como é chamada agora a Telemar, por exemplo, teve aprovado ano passado um financiamento de R$ 2,4 bilhões para expansão e atualização de sua rede até 2008, num investimento total de R$ 6,7 bilhões. Esse tipo de projeto, para o BNDES, é considerado como aprovação para a área de infra-estrutura.
Infra-estrutura e indústria responderam por 87% do total de aprovações do BNDES nos 12 meses acumulados em fevereiro. Dos R$ 79,9 bilhões de projetos aprovados pelo banco, R$ 40,1 bilhões foram para o setor industrial, com crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. Outros R$ 29,3 bilhões tiveram como destino as obras de infra-estrutura, que responderam por aumento de 54% na comparação com 2006.
''O clima é moderadamente otimista. Estamos cautelosos em função de um histórico do desempenho econômico no passado recente'', afirma o diretor financeiro da Klabin, Ronald Seckelmann. Na opinião do executivo, o País ainda tem deficiências de infra-estrutura e logística que impedem um impulso maior da indústria em aumentar os investimentos. Mesmo assim, considera que o BNDES tem sido mais ''ativo'' na contribuição para o desenvolvimento econômico.
A Klabin, fabricante de papéis e cartões para embalagens, teve aprovado em julho de 2006 um financiamento de R$ 1,74 bilhão do BNDES, o equivalente a 65,9% do investimento total de R$ 2,5 bilhões da empresa para ampliar a atual produção de 680 mil toneladas para 1,1 milhão de toneladas. Cerca de 60% da produção da companhia tem como destino o mercado interno. As exportações correspondem aos 40% restantes. Segundo Seckelmann, este é o maior investimento da história da Klabin, que deverá gerar 4.500 empregos temporários na fase de ampliação da produção.
A Aracruz, por sua vez, recebeu um financiamento de R$ 595,9 milhões do BNDES. O investimento total da maior fabricante mundial de celulose branqueada será de R$ 878 milhões. O dinheiro será usado para expandir a produção atual de 2,13 milhões de toneladas anuais para 2,33 milhões de toneladas por ano. A empresa também vai usar parte dos recursos para um programa florestal de 77,9 mil hectares de eucalipto, o que representa um aumento de 9% em sua área de florestas próprias.
''Estamos com um cenário de queda de inflação, tendência de redução de juros e maior atração de capitais, com o crescimento mundial e valorização das commodities, o que estimula o investimento'', diz o diretor financeiro da Aracruz, Isac Zagury. O executivo, porém, considera que o chamado custo Brasil, especialmente em relação às carências na infra-estrutura, ainda são um entrave para um maior ânimo da indústria.
Souza, do BNDES, avalia que o crescimento de 33,9% dos financiamentos para a aquisição de máquinas e equipamentos (Finame), no primeiro bimestre em relação ao mesmo período do ano passado, são outro indicador do clima favorável aos investimentos. O volume total de recursos passou de 2,3 bilhões para R$ 3,9 bilhões. O BNDES teve até de fazer uma suplementação de R$ 400 milhões, no período, para atender a demanda.

mockup