Pedir financiamento para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem estado um pouco mais fácil para o empresariado paranaense neste início de ano, apesar de toda a restrição imposta. O crescimento na liberação pôde ser comprovado no primeiro quadrimestre, período em que ocorreu um aumento de 28% no desembolso de dinheiro para quem apresentou pedidos de financiamento. Segundo o diretor do BNDES, Isac Zagury, a intenção é garantir que os recursos cheguem com mais facilidade no caixa das empresas. Os empresários ainda reclamam do excesso de exigências do banco.
Zagury esteve ontem em Curitiba para assinar convênios e para inaugurar um posto avançado do BNDES, que foi instalado na sede da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O terminal vai dar informações sobre as linhas de crédito e diminuir a distância que hoje há entre o banco e as empresas.
Muitos empresários desconhecem os tipos de financiamentos que podem tomar e as condições impostas pelo BNDES. Mas apesar da pouca informação de alguns, há quem recorra com frequência aos empréstimos do banco. Entre janeiro e abril do ano passado, foram pedidos financiamentos no valor de R$ 439 milhões, enquanto que neste ano foram R$ 812 milhões. O setor da indústria de veículos automotivos foi o que mais solicitou recursos neste ano, totalizando R$ 351,9 milhões nos primeiros quatro meses do ano. Em seguida esteve a construção civil com R$ 169,2 milhões.
Ao todo foram feitas consultas para a liberação de R$ 812,4 milhões de janeiro a abril, contra R$ 439,4 milhões no mesmo período em 1999. ‘‘O volume de pedidos no Paraná cresceu acima da média, e o mais importante é que 90% destas operações eram de pequenas e micro empresas’’, ressaltou o diretor do BNDES. Foram 2.094 atendimentos para as pequenas empresas e apenas 143 para as grandes.
Os empresários que acompanharam a assinatura do convênio do BNDES, deram sugestões aos diretores do banco e também reclamaram. Um deles foi o ex-presidente da Fiep, Aloísio Weber. ‘‘Vi um folder do BNDES que prometia garantir exportação de laranja até caminhão. Quero linha de crédito para exportar armários de aço e não consigo’’, protestou. O representante do Sindicato das Empresas de Móveis, Ari Paiva, também mostrou seu descontentamento. ‘‘A empresa estrangeira vem para cá e tem financiamento do BNDES, enquanto nós só conseguimos com o mercado, com juros bem maiores’’, disse Paiva. Os diretores do BNDES tentaram acalmar os ânimos, dizendo que a situação está melhorando.

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