BNDES assume fracasso do programa Modercarga
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Três meses e meio após o lançamento oficial, o Modercarga, programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para incentivo à renovação da frota nacional de caminhões, não financiou a compra de nenhum veículo. Em contrapartida, o Finame - linha tradicionalmente disponível no banco para aquisição de equipamentos - desembolsou R$ 645,2 milhões só para operações com caminhões, desde que o Modercarga foi lançado. Isto representa um crescimento de 74% em relação às liberações do mesmo período (de maio a julho) do ano passado: R$ 370,4 milhões.
Diante do fracasso do programa, o BNDES está aberto a estudar mudanças como a ampliação do nível de participação do banco no financiamento, que atualmente é de até 70% do valor do veículo. Também está em análise uma alteração no prazo de carência do empréstimo, estipulado em três meses. Estas são duas das principais reivindicações dos agentes financeiros, segundo a chefe do Departamento de Suporte e Controle Operacional do banco, Conceição Keller.
Para o mercado, o programa do BNDES pecou na sua elaboração. ''O Modecarga nasceu errado. E tudo o que nasce errado é difícil consertar. Não foi dada a devida atenção ao programa, que tem uma importância muito grande'', disse o diretor de Operações de Caminhões da Ford Brasil, Flávio Padovan. Para ele, o maior erro do Modercarga foi a falta de um fundo de aval que garantisse a aquisição do veículo, caso o caminhoneiro autônomo enfrentasse algum problema para fazer o pagamento do financiamento.
O programa foi feito nos moldes do bem-sucedido Moderfrota, programa de financiamento a equipamentos agrícolas, lançado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao contrário do Moderfrota, o Modercarga não contou com a assunção, pelo Tesouro, dos riscos do empréstimo, o que barateava muito o financiamento.
Padovan afirma que a taxa de juros do Modercarga foi um dos fatores que impediram a decolagem do programa. Com taxa de juros fixa de 17% ao ano e prazo de 60 meses, com carência de três meses, o valor médio da prestação fixa do Modercarga é de R$ 1.814, segundo estudos do BNDES. ''A taxa não é competitiva. O Finame tem juros menores e carências maiores.''
Segundo Conceição, a previsibilidade do Modercarga, por causa da taxa fixa de juros, era o principal atrativo do programa, mas ele admite que esse foco não chamou a atenção do mercado. ''A TJLP de 9,75% mais 1% de spread do BNDES no Finame e a expectativa de TJLP cadente fizeram com que a previsibilidade do Modercarga não atingisse o resultado que era esperado.''


