Curitiba - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, anunciou ontem, em Curitiba, que a instituição pretende criar em breve um fundo para financiar a elaboração de projetos de longo prazo para a infra-estrutura brasileira. Segundo ele, nas últimas décadas o País abandonou a política de planejamento em áreas estratégicas, principalmente geração de energia e transportes.
Coutinho afirmou ainda que vem mantendo contato direto com o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, colocando o BNDES à disposição para colaborar com uma solução para a crise aérea que assola o País.
De acordo com o presidente do BNDES, a criação do fundo para projetos já vem sendo tratada com a presidência da República. ''O BNDES pretende, em um prazo muito curto, criar um fundo de desenvolvimento de projetos de infra-estrutura'', anunciou. O dinheiro disponível nesse fundo será usado, segundo Coutinho, para contratação de institutos e escolas do setor público, ou até mesmo de consultorias privadas, para que desenvolvam os projetos estruturantes. ''Queremos multiplicar e acelerar a elaboração de projetos básicos e executivos, além dos respectivos estudos de viabilidade técnica e econômica, para que esses projetos possam ser licitados ou transformados em parcerias público-privadas (PPPs)'', acrescentou.
Para Coutinho, a criação do fundo é necesária para retomar o planejamento a longo prazo do País. ''Infelizmente houve um abandono do planejamento no Brasil nos últimos dez, quinze, vinte anos. Os centros de excelência de planejamento setorial na área de energia, de transportes, em várias áreas, foram degradados e perderam qualidade, lamentavelmente'', disse. O presidente do BNDES afirmou não ter ainda uma estimativa de qual será o montante destinado ao fundo, mas garantiu que será uma quantia relevante. ''Deve ser um valor condizente com o tamanho do desafio. E esse não é um fundo para perder dinheiro. É um fundo que elabora os projetos e depois que eles são licitados, os vencedores das respectivas licitações remuneram o custo de elaboração dos projetos e os serviços prestados, de forma a repor o fundo'', explicou.
Para ele, as duas principais prioridades para o País atualmente são as áreas de geração de energia e infra-estrutura de transportes, principalmente aéreo e marítimo. ''São processos importantes, que merecem uma atenção muito grande pelo estado de estresse a que estão sendo submetidos nos últimos tempos'', declarou. Emergencialmente, o BNDES pretende colaborar com a solução da crise aérea brasileira. ''Mantive conversações com o ministro Nelson Jobim no sentido de colocar o BNDES à disposição do Ministério da Defesa, para que possa auxiliar na elaboração de estudos e projetos que permitam enfrentar de forma objetiva e eficaz a crise nas infra-estruturas aeroportuárias'', disse.
Segundo Luciano Coutinho, os projetos financiados pelo fundo de planejamento não encontrarão dificuldades financeiras para serem executados. ''Hoje, no mundo, para projetos que tenham taxa de retorno satisfatórias, não faltam recursos. E não faltarão recursos do BNDES para todo projeto que tiver mérito e que tenha relevância do ponto de vista econômico e social'', concluiu.

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