Arquivo FolhaNome velho, modelo novoLuis Carlos de Barros: ‘‘Primeiros setores beneficiados serão eletroeletrônico e telecomunicação’’RIO - O governo desistiu de atacar o déficit comercial apenas pela ponta do aumento das exportações. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social) começa em fevereiro um programa para financiar substituição de importações. O presidente do banco, Luiz Carlos Mendonça de Barros, chamou a nova ação do banco de ‘‘programa de substituição de importações do século 21’’.
Até agora, substituição de importações era considerada pelo governo uma expressão que remetia a um modelo arcaico de desenvolvimento, a ser esquecido. A fórmula do novo programa é a participação do BNDES no capital de empresas interessadas em produzir no Brasil componentes das suas linhas de produção que hoje são importados. Os dois primeiros setores a serem beneficiados serão o eletroeletrônico e o de telecomunicações.
Mendonça de Barros disse que a BNDESpar (BNDES Participações), subsidiária do banco, comprará ações das empresas com recursos obtidos na venda de ações de empresas estatais, como Vale do Rio Doce, Petrobrás e Eletrobrás, que atualmente fazem parte da sua carteira. Para Mendonça de Barros, essa nova política de substituição de importações não tem relação com o passado porque não passa por subsídios ou protecionismo.
Ele citou pelo menos outra ação do banco que teve como uma das finalidades reduzir as importações. Segundo ele, o financiamento a juros internacionais, menores que os do mercado brasileiro, dados para a empresa Confab fabricar tubos de aço para o gasoduto Brasil-Bolívia teve esse objetivo.
Graças a esse financiamento, com prazo de 15 anos para pagar (as linhas normais do BNDES têm prazo máximo de oito anos), a Confab ganhou a concorrência internacional, feita pela Petrobrás, para a produção dos tubos, no valor total de US$ 400 milhões. ‘‘Se ela perdesse, nós teríamos um aumento de importações de US$ 400 milhões. Então, essa ação tem também o sentido de melhoria da balança comercial’’, disse Mendonça.
Ele disse também que, no prazo de 15 a 20 dias, deverá estar concluída a primeira operação na modalidade de participação no capital da empresa. Será na área de eletroeletrônicos.
Segundo o presidente do BNDES, o programa consiste no ‘‘adensamento da linha de produção’’ de empresa de setores escolhidos para substituir importações e tornar essas empresas mais competitivas. Mendonça de Barros afirmou que o estímulo à substituição de importações não tem nada a ver com o insucesso do programa criado no ano passado pelo BNDES para estimular as exportações.
Ele disse que o banco teve que passar por um aprendizado na área de financiamento ao comércio exterior e que este ano o programa para exportações vai começar a render frutos.

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