BNDES admite financiar Varig e TAM
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já admite financiar em separado a Varig e TAM, sem a obrigatoriedade da fusão entre as duas empresas aéreas. O quadro foi traçado ontem pelo presidente do banco, Carlos Lessa, num momento em que governo e o mercado avaliam que o processo está prolongado demais e as empresas parecem não enxergar mais a fusão como a saída única para o setor aéreo. A situação de Varig e TAM melhorou e já há projeções de crescimento de 10% para o tráfego no País em 2004.
Foi a primeira vez que Lessa admite publicamente que a fusão não é pré-condição obrigatória para que o banco financie o setor. ''O BNDES não descarta nada. Mas somos o guardião de dinheiro dos trabalhadores e não vamos financiar nada a fundo perdido'', disse, logo depois de participar de evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). ''Até o momento, não recebemos nenhuma consulta, nenhuma proposta, nem individual, nem quanto à fusão'', informou o executivo.
Na prática, Lessa considera que é mais importante para o setor o rearranjo das companhias aéreas do que propriamente uma fusão específica entre a Varig e a TAM. Para ele, a negociação para a fusão das duas companhias já se prolongou em demasia.
''Tudo que se adia demais é lamentável, porque mantém situações que têm elementos inquietantes. Particularmente, acho que esta situação (a fusão entre a Varig e a TAM) já deveria ter sido resolvida. Mas isso não está ao meu alcance'', comentou o presidente do BNDES.
Executivos das duas empresas confirmam que, na verdade, ninguém queria a fusão. O processo surgiu por absoluta necessidade, aliado ao interesse do governo em tentar solucionar os problemas setoriais, que se arrastam desde a década passada.
Além disso, novos ingredientes surgiram: a TAM voltou a registrar lucro líquido; a performance operacional da Varig melhorou; e a demanda deverá crescer. Um especialista chega a comentar que ''os vôos compartilhados melhoram de tal forma a vida das empresas que elas agora acham que podem viver sozinhas''.


