A poucos metros da Bovespa, outra bolsa, a de Mercadorias e Futuros (BM&F) ainda abriga mais de 600 operadores em seu pregão. Lá são negociados papéis que, nos últimos anos, têm tido apelo bem maior que as ações de empresas brasileiras. Os chamados derivativos garantem cotações futuras de taxas de juros, dólar e produtos agropecuários, por exemplo, e têm garantido o trabalho para os profissionais responsáveis pelas negociações.
Para evitar o conflito entre o sistema viva-voz e o sistema eletrônico GTS, a direção da BM&F preferiu baixar uma norma interna para separar o que será negociado em cada modalidade. A regra básica diz que os papéis de maior procura continuarão a ser disputados no grito. ''O GTS evita, por exemplo, que um operador passe uma manhã inteira oferecendo um negócio de pouca liquidez'', explica o diretor de Operações da BM&F, José Carlos Branco.
''Só não podíamos era ficar na contramão da história e deixar de oferecer aos clientes a alternativa eletrônica'', explica Branco, contando que várias bolsas no mundo existem apenas nos painéis eletrônicos. A Nasdaq, que negocia os papéis de empresas de tecnologia nos EUA, é um exemplo famoso.
''Adoro o pregão e não sei o que faria se não pudesse mais ficar aqui'', diz o gerente da corretora Multistock na BM&F, Antônio Carlos Rago, conhecido como Volpone no pregão. Ele conta que começou em 1980 na Bovespa e foi transferido para a BM&F em 1986. Nesse meio tempo, chegou à mesa de operações, mas não gostou. ''Aqui é o meu lugar'', garante.

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