Em dezembro, o WhatsApp havia sido bloqueado no Brasil por 48 horas devido a uma investigação criminal. Na ocasião, a decisão durou cerca de 12 horas. O bloqueio foi uma represália da Justiça contra o WhatsApp por ter se recusado a cumprir determinação de quebrar o sigilo de dados trocados entre investigados criminais. Em fevereiro, no Piauí, um juiz também havia determinado o bloqueio do aplicativo de conversa no Brasil. O objetivo era forçar a empresa dona do WhatsApp a colaborar com investigações da polícia relacionadas à pedofilia. A decisão foi suspensa por um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí após analisar mandado de segurança impetrado pelas teles.
"Existe um problema de entrega de dados do Facebook e WhatsApp para a força de lei brasileira", afirma o promotor de Justiça do Distrito Federal, Frederico Meinberg Ceroy, sobre a reincidência de suspensões do WhatsApp no País. "As forças da lei estão tentando chegar a maneiras de conseguirem o acesso a dados, mas existem outras formas de fazer isso que não prejudicam o usuário, como o diálogo, multas e prisões. Sou totalmente contra usar o bloqueio."
Conforme observa Ceroy, as ferramentas tecnológicas hoje não estão mais apenas restritas ao uso para lazer. Até mesmo médicos usam o app para se comunicar com seus pacientes. "Quando se fala de bloqueio de aplicações, estamos atingindo toda a vida de uma população." Na visão do promotor, as suspensões do WhatsApp podem voltar a ocorrer se mais juízes interpretarem que esta é a melhor melhor maneira de obter informações do aplicativo.
Ontem, a Proteste Associação de Consumidores retomou a campanha "Não calem o WhatsApp", que em dezembro do ano passado teve a adesão de 136 mil consumidores. Para Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, a pressão da sociedade é uma maneira de tentar impedir que o consumidor volte a passar por situações como essa. "É um absurdo que as pessoas continuem tendo problemas como esse. É ilegal a maneira como foi feito o bloqueio. Violou o Marco Civil da Internet e acreditamos que está havendo uma falta de entendimento sobre o bloqueio, que está prejudicando milhões de brasileiros. Pune o usuário sob todos os aspectos." (M.F.C. com Folhapress)

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