Curitiba - O bloqueio na saída do pátio de triagem do Porto de Paranaguá foi mantido ontem o dia inteiro. Nenhum caminhão quis descarregar enquanto o impasse em torno do pagamento das diárias não for solucionado. Com isso a fila de caminhões aumentou, com cerca de 6 mil veículos parados na rodovia. Até ontem à noite faltavam apenas oito quilômetros para a fila atingir novamente a BR-277 no trecho que vai para o interior do Paraná.
Irritados com a continuidade do impasse por quase 24 horas, os caminhoneiros bloquearam a pista da BR-277, sentido Curitiba-Paranaguá, no km 9. Eles permitiram apenas a passagem de veículos pequenos. Nenhum caminhão podia se dirigir ao porto.
A Ecovia, empresa que administra o pedágio na BR-277, estava informando os motoristas sobre a barreira e muitos optaram por retornar a Curitiba. No final da tarde, o bloqueio na rodovia foi desfeito após negociação entre os caminhoneiros e a Polícia Rodoviária Federal.
A manifestação dos caminhoneiros não teve acompanhamento de nenhum líder da categoria, como ocorreu no mês passado quando líderes de várias regiões do Estado e do País se deslocaram para Paranaguá. Ontem, todos eles estavam acompanhando a manifestação de longe.
O impasse está na resistência das transportadoras e operadores portuários em pagarem as diárias de R$ 0,40 a tonelada hora, computados a partir da passagem dos caminhões das praças de pedágio de São Luís do Purunã e da Lapa, como foi acordado na primeira manifestação dos motoristas, que coincidiu com a paralisação geral do porto durante cinco dias no mês passado. Naquela época, os motoristas receberam um total aproximado de R$ 20 milhões em diárias.
Desta vez, a fila de caminhões começou a se formar em consequência da chuva que inundou Paranaguá no final de semana. As moegas dos terminais privados ficaram comprometidas e o sistema de comunicação e informática do porto teve pane geral.
Há quatro dias parados na fila em condições precárias, os caminhoneiros querem reeditar o acordo anterior. Ocorre que muitos deles concordaram em carregar a mercadoria com cartas-frete que variam de R$ 0,20 a R$ 0,25 a tonelada-hora e agora operadores portuários e transportadoras não querem rever esse acerto. Eles alegam que a diária de R$ 0,40 é válida para a situação anterior. O impasse pode acabar na Justiça.
O líder caminhoneiro, José Araújo Silva, conhecido como ''China'' reconhece que não será fácil fazer com que as transportadoras paguem novamente o volume de dinheiro já pago na paralisação anterior. Ele adverte para a possibilidade de perda de credibilidade do movimento porque o problema das diárias tem que ser resolvido e seguido de forma definitiva e não a cada paralisação.

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