Bloqueio de ponte retém 500 caminhões
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quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Valmir Denardin 
Pelo menos 500 caminhões - a maioria com cargas perecíveis - já estavam retidos no final da tarde de ontem nos dois lados da Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina e é um dos principais corredores de transporte do Mercosul. Desde o meio-dia de anteontem, um protesto de formiguinhas (nome pelo qual são conhecidas as pessoas que transportam, de bicicleta, mercadorias entre os dois países) bloqueia a passagem de veículos e pedestres pela via.
Composto por cerca de 500 pessoas (80% argentinos), o grupo protesta contra a decisão do governo argentino, de fazer cumprir a resolução 262/86, prevista no Código de Aduanas. A medida limita em US$ 100,00 mensais o valor em mercadorias estrangeiras com que cada um desses transportadores pode entrar no país. Até agora, os formiguinhas podiam fazer até três viagens diárias, transportando o equivalente à soma de US$ 100,00 por dia.
A resolução também restringe a entrada de legumes, verduras, frutas e produtos de origem animal, sob a alegação de impedir uma eventual transmissão de doenças e pragas. São exatamente esses produtos - comprados a preços mais baixos em Foz do Iguaçu e revendidos em Puerto Iguazú - os preferidos pelos formiguinhas. O lucro maior é com o frango. Enquanto em Foz o quilo do produto custa R$ 1,00, na Argentina ele é vendido por 5 pesos (o equivalente a US$ 5,00).
Iniciado às 12 horas de anteontem, o bloqueio da ponte já durava 30 horas no início da noite de ontem. Segundo o argentino Primo Zacarias Antonio, de 36 anos, formiguinha há 20 e um dos líderes dos manifestantes, o grupo só liberaria a ponte após acordo com o governo argentino, com a volta da cota anterior. Até o final da tarde, as autoridades argentinas não haviam iniciado negociações com o grupo.
Os prejudicadosOs turistas são um dos grupos mais prejudicados pelo protesto que, até o final da tarde de ontem, bloqueava a Ponte Tancredo Neves. Grupos de visitantes hospedados em Foz do Iguaçu não estavam podendo conhecer o lado argentino das Cataratas do Iguaçu ou jogar no Cassino Iguazú, em Puerto Iguazú, um dos principais programas noturnos da fronteira. Da mesma forma, a manifestação impedia que os turistas que estão na Argentina chegassem ao Brasil.
Às 16 horas de ontem, o casal de advogados espanhóis José Luis Gimenez, de 39 anos, e Estivaliz Gimenez, de 36, tentava cruzar a ponte de táxi. Chegados anteontem à noite em Foz, eles tinham reserva no hotel próximo às Cataratas argentinas. Temos vôo marcado amanhã (hoje), às 10 horas, para Buenos Aires e não sei como chegaremos ao aeroporto (de Puerto Iguazú), preocupava-se Estivaliz. Os espanhóis não conseguiram passar e tiveram que dormir em Foz.
O caminhoneiro Saúl Alves, de 27 anos, que transportava uma carga perecível de frutas de Foz para Buenos Aires, estava retido na ponte desde as 12 horas de anteontem. Quando terminar o óleo diesel (que mantinha a câmara fria em funcionamento), a carga vai começar a estragar.


