Caminhões e ônibus de transporte coletivo chegaram a ficar parados na BR-369 por quase quatro horas, bloqueados pelo protesto dos agricultores, ontem à tarde. No local, as opiniões foram divididas entre os simpatizantes e os contrariados. Dois ônibus de transporte coletivo foram bloqueados e a empresa teve que mandar carros reservas para recolher os cerca de 140 passageiros. Ônibus de viagens interestaduais também interromperam a corrida na BR e os viajantes continuaram o caminho, de táxi.
O motorista da Til, João Almeida, acredita que os produtores rurais têm ''razão'' ao protestar. ''A política do governo não é convincente'', disse. A aeromoça Denise Sepúlveda iria pegar um vôo Londrina-São Paulo às 15h45. ''Esse vôo já perdi, vou ter que embarcar no vôo das 19 horas'', disse ela, que esconhecia o que estava ocorrendo.
Já o estudante universitário Bruno Guimarães acredita que o movimento não trará resultado algum.''Isso não vai virar nada, não vai dar certo. É só para atrasar o pessoal mesmo'', comentou. O comerciante Adelson Alves dos Santos, de Maringá, classificou o bloqueio como ''uma barbaridade''. '' Acredito que a melhor resposta do campo seria deixar de plantar porque aí faltaria comida''. O caminhoneiro Wilson Emeretti, de Campo Mourão, lembrou que os protestos estão ocorrendo há 15 dias. ''Se eu atrasar dois meses as prestações do meu caminhão o banco me toma e os agricultores querem mais prazo para pagar dívidas. Também acho que o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) não tem culpa, foi a seca'', observou. (F.M.)

mockup