Blocos Econômicos: o Brasil, a Alca e o Mercosul
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Paulo Afonso Rodrigues 
O Brasil se empenhou em fortalecer as economias da América do Sul, liberando fronteiras até então restritas a todas áreas de comércio de nosso continente. E demonstrou a força da sua economia, a qual se adapta a juros altos, a concorrências desleais, a maior tributação do planeta e está sempre a produzir, aumentando sobre maneira, ano a ano, seu PIB.
Estamos vivendo momentos e instabilidade na segunda economia da América do Sul, onde a Argentina não faz o dever de casa, pois não está conseguindo dar as tratativas que sua economia merece no dia a dia. Prova é que não está conseguindo financiar os juros de sua dívida externa que estão vencendo neste mês, em torno de US$ 1 bilhão.
O Plano Cavallo limita em US$ 1.000,00 o saque mensal por cliente junto aos bancos. E o ministro está relutante em não desvalorizar o peso perante o dólar, tentando de todas as maneiras fortalecer uma moeda já enfraquecida.
Existem brigas e mais brigas, questionamentos e mais questionamentos e até momentos de desavenças entre as áreas econômicas que recentemente culminou com o pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso ao ministro das relações exteriores Celso Lafer que retornasse ao Brasil após um pronunciamento indevido do ministro Cavallo com relação às atitudes da equipe econômica brasileira, o posicionamento do Real frente ao dólar e suas constantes flutuações.
Por sua vez, o carro chefe da Alca, que é os Estados Unidos, está a observar o Brasil há muito tempo. Somos o segundo maior exportador de carne de frango e de carne bovina, possuindo o maior rebanho comercial do mundo. Temos uma exportação de destaque no milho, soja e algodão e também no segmento de calçados. Isto sem nos esquecermos da carne suína, do suco de laranja e de todas as estratificações minerais dos nossos recursos. Temos também um destaque com exportações de açúcar e de seu produto direto que são as guloseimas doces, principalmente chocolates.
Recentes declarações dão conta de que o Brasil exportou 550 mil toneladas de balas e 300 mil toneladas de chocolates, credenciando nosso País como forte concorrente. O despertar do planeta teve como base nossos aviões, onde a Embraer tem desenvolvido ótima tecnologia atendendo a contento os mais requintados gostos.
O que dizer então da alta tecnologia desenvolvida no campo, quer nas pesquisas de soja, milho e algodão realizada pelo Iapar e Embrapa, sem nos esquecermos também da alta qualidade de nosso rebanho pecuário de corte, onde aqui se encontram os principais sangues das raças européias e também zebuínas com destaque para o Nelore, Limousin e Simental, sem nos esquecermos do charolês e também de outras raças sintéticas que estão surgindo. E, inclusive, com o primeiro bovino clonado nascendo aqui no Brasil, da raça Simental.
Vale lembrar, que o Brasil está procurando implantar a rastreabilidade no rebanho pecuário de corte e isto quer dizer que o bezerro será acompanhado até o seu abate final. É lógico que um pujante país, 8 economia mundial que até então estava com o pires na mão, hoje já se faz presente concorrendo passo a passo com os principais países do mundo. Prova são as recentes visitas de grandes estadistas com destaque para o primeiro ministro da Inglaterra Tony Blair.
Devemos ficar com olhos atentos às verdadeiras intenções do mercado internacional, já que, até então, só se preocupava com subsídios a seus produtos e, hoje, estão observando o mercado brasileiro que ainda não aderiu aos produtos transgênicos. Sem falar na quebra de patentes dos produtos farmacêuticos que está desafiando grandes potências.
O mundo também tem observado, apesar de parciais, as medidas contra a corrupção em todos os setores de nosso País. E isto nos possibilita um pequeno crédito para seriedade necessária a tal ponto que a então globalização epidêmica das economias emergentes não está se fazendo presente no Brasil, haja vista a queda vertiginosa do dólar em patamares não esperados. Basta somente observar as cotações da primeira quinzena de dezembro onde se visualiza um assentamento na cotação por volta dos R$ 2,30. O Brasil deve se preocupar com a Alca, sem desprezar o Mercosul.
- Paulo Afonso Rodrigues é contabilista e assessor financeiro da Afiplan Assessoria Financeira e Planejamento, em Londrina e-mail: [email protected] / home-page: www.afiplan.hpg.com.br


