Bloco descarta política social única
A 12ª reunião de cúpula do Mercosul terminou ontem sem qualquer menção a uma política conjunta de combate ao desemprego na região, considerado um efeito colateral do modelo de abertura econômica adotada por todos os países do bloco. O presidente Fernando Henrique Cardoso e seus colegas foram unânimes em dizer que o modelo econômico adotado pelos países não está sujeito a contestação.
Não precisamos imaginar que o futuro da economia do Brasil vai ser igual ao futuro da economia das sociedades européias, alegou FHC, para sustentar que a abertura no Brasil não vai gerar tanto desemprego quanto na Europa. Ao responder como pretende enfrentar a questão do desemprego na próxima campanha eleitoral, FHC insistiu em que o Brasil vem mantendo, nos últimos anos, taxas de desemprego entre 4% e 6% ao ano.
Não sei como vai ser daqui a um ano. Eu espero que seja bem, mas, se estiver pior, eu vou ter de ter um programa, se for candidato, para resolver as questões que se apresentarem, afirmou.
O principal motivo para não temer o impacto negativo da abertura comercial, segundo o presidente, é a possibilidade de os brasileiros desempregados se deslocarem geograficamente ou de profissão.
O anfitrião do encontro, o presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy, alegou que a inflação galopante era a opção da região ao modelo de abertura econômica. O presidente da Bolívia, Gonzalo Sanchez de Lozada, chegou a comparar a estabilização a um cachorro que sabe jogar xadrez. O amigo do dono do cachorro acha aquilo maravilhoso, mas o dono contesta: das últimas três partidas, ele perdeu duas. É como a estabilização - é algo maravilhoso, mas não tão maravilhoso, brincou Lozada.
Em entrevista coletiva ao lado dos colegas, FHC disse que o melhor caminho para criar empregos imediatamente na região é o acesso ao mercado norte-americano.





