A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades nos supermecados, vai acionar a Delegacia Regional do Trabalho, Ministério Público e Receitas Federal e Estadual para realizar blitze em três grandes redes do setor no Paraná: Carrefour, Extra e Sonae. A decisão foi tomada ontem, após depoimentos prestados em Curitiba por ex-funcionário e mulher de um trabalhador.
As informações tornadas públicas servem de subsídios para prosseguimento do trabalho da comissão, criada na Assembléia Legislativa dia 15 de abril deste ano. O que disseram, em grande parte, confere com os registros feitos através do disk-denúncia 0800-419809, em que pessoas anônimas afirmam que trabalham em supermercados e são vítimas de exploração.
Marlon Jorge Domingues da Silva não teve receio em se identificar. Em maio ele ligou, deixou telefone e foi convocado pela CPI. Ontem, disse que trabalhou de julho de 97 a fevereiro de 99 no Supermercado Coletão, que posteriormente foi vendido ao Grupo Sonae. Oficialmente era pacoteiro, mas afirma que fazia diversas funções, como entregar mercadorias até a madrugada. ‘‘Não recebia hora extra e não podia reclamar’’.
O jovem, que era menor de idade, contou ainda que a limpeza era precária e havia desrespeito ao consumidor. Uma situação não muito diferente relatada, na sequência, pela mulher de um funcionário da rede Carrefour. Ela não se identificou, nem ao marido, temendo represálias. ‘‘ Eles falam que se não quiser o serviço, tem 10 lá fora querendo’’.
A maioria das reclamações feitas até agora à CPI diz respeito ao não-pagamento de hora-extra. Mas tem várias outras que relatam, por exemplo, a pressão das empresas para permanências após o expediente ou em dias fora do contrato.
O presidente da comissão, deputado Geraldo Cartário, diz que o ‘‘Estado é incompetente para fiscalizar estes grandes grupos e por isso nós vamos fazer’’. A CPI obteve na Delegacia do Trabalho uma lista em que aparecem aproximadamente mil ações reclamatórias movidas por funcionários de supermercados.
A assessoria de imprensa do Carrefour disse que as denúncias de não-pagamento de hora-extra não procedem e que ‘‘periodicamente’’ são realizadas auditorias na empresa pelo Ministério do Trabalho. Falou, também, que ‘‘ numa rede como o Carrefour, a higiene é uma das prioridades. Existem cursos de formação constantes e contínuos de treinamento para todos os funcionários’’.
Segundo a assessoria do grupo Extra, ‘‘em respeito ao trabalho da CPI, estamos colaborando com ela em todos os sentidos’’. A assessoria do grupo Sonae (Mercadorama, BIG, Coletão e Mufattão), da mesma forma, negou as acusações. ‘‘Não tivemos acesso às denúncias da CPI, mas estamos averiguando e antes disso a empresa não vai se pronunciar. De qualquer forma, a empresa cumpre rigorosamente com a legislação brasileira nos contratos que mantém com 22.300 funcionários, sendo 7 mil deles somente no Paranᒒ.

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