A CPI dos Combustíveis fez ontem uma megaoperação em 14 divisas do Norte do Paraná com o estado de São Paulo e em postos de combustíveis da região Norte, que têm denúncias registradas junto a comissão parlamentar.
O posto Atibaia, de Jacarezinho, foi lacrado no final da tarde de ontem por não ter registro na Agência Nacional de Petróleo (ANP). Uma nota de compra de sete mil litros de álcool, no valor de R$ 4.656,19, também foi apreendida no posto. A nota ‘‘fria’’ foi emitida em nome da distribuidora Mundial, de Cambé, que tem firma cancelada na Receita Estadual.
A CPI apreendeu outras duas notas adulteradas de compra de álcool nos postos Pereira, de Jacarezinho, e HP 1000, de Cambará. A nota apreendida no posto Pereira, de sete mil litros de álcool, estava em nome da Mundial e, a nota do Posto HP 1000, de cinco mil litros de álcool, em nome da Petro Golden Petróleo Ltda, de Assis, cujo CGC é de outra empresa, segundo o presidente da CPI, deputado Durval Amaral (PFL).
‘‘Estes dois postos vão passar por uma inspeção rigorosa da Receita, podendo ser multados em 50% do valor das notas’’, afirmou Amaral. Testes feitos por técnicos da ANP nos postos Renato, de Jacarezinho, e HP 1000, de Cambará, constataram teor de álcool nos tanques fora das especificações. ‘‘Nos dois casos, foram emitidos autos de constatação porque a quantidade de água estava acima do permitido’’.
Nenhum caminhão transportando combustível com irregularidades, porém, foi interceptado pela CPI. Amaral acredita que a informação sobre a operação tenha vazado já que o número de caminhões que passou ontem pelos dois postos fiscais de Ourinhos, principal porta de entrada do Estado, foi muito inferior à média. ‘‘Normalmente, entre 20 e 30 caminhões passam no Posto Fiscal Marques dos Reis pela manhã. Ontem, oito veículos cruzaram esta barreira’’.
Cerca de 40 pessoas entre deputados da CPI, fiscais da Receita Estadual e do Procon, fiscais e técnicos da ANP e técnicos do Tecpar participaram da operação. Três laboratórios móveis da ANP foram trazidos de Brasília. Dois deles operaram na região Norte e um no Posto Fiscal Charles Naufal, em Assis. Um outro laboratório do Procon fez análises de combustíves em postos de Londrina e região.
Para Durval Amaral, o pequeno número de caminhões circulando na divisa de Ourinhos ontem confirma a tese de que a maior parte do combustível adulterado vendido no Paraná vem de São Paulo. ‘‘Se estivesse tudo certo com o combustível e com as notas fiscais, os caminhões teriam transitado normalmente’’, afirmou ele. Apostando nesta possibilidade, os deputados e os fiscais e técnicos da ANP fizeram uma ‘‘batida’’ pelas ruas, postos de combustíveis e alguns estacionamentos de Ourinhos atrás de caminhões tanques ontem de manhã. Todos os veículos encontrados nos pátios dos estacionamentos e numa empresa de distribuição de combustível daquela cidade estavam vazios. ‘‘Mas isso não quer dizer nada’’, enfatizou Amaral. Os responsáveis pelos estacionamentos e pela empresa informaram que os caminhões aguardavam a liberação de cota da Petrobras para serem carregados. Além de Amaral, participaram da operação o deputado Edno Guimarães (PSL), Miltinho Pupio (PSC) e Nelson Garcia (PFL). Ao todo, a CPI é formada por 11 deputadas estaduais.

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