Blitz interdita duas envasadoras de álcool
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Duas envasadoras de álcool de Londrina tiveram os produtos interditados e as bombas lacradas depois de uma blitz realizada ontem por cinco organismos fiscalizatórios municipais e estaduais. Coordenada pela Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon), a ação investigou denúncias de sonegação fiscal e venda irregular de combustível.
A suspeita do coordenador do Procon de Londrina, Gerson da Silva, é de que as 10 envasadoras em funcionamento na cidade tabalhem com algum tipo de irregularidade. A distribuidora responsável pela venda do álcool às envasadoras também vai ser investigada e pode ter o registro cassado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Primeira a ser visitada pelos agentes da blitz, a envasadora Envasaalcool, na Avenida Saul Elkind (Zona Norte), apresentou uma série de irregularidades. O contador da empresa, Fábio Luiz Marques, tinha somente o alvará de localização e a vistoria do Corpo de Bombeiros - com data de validade expirada. Faltavam a autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o alvará de funcionamento da Secretaria Municipal de Fazenda. A bomba foi lacrada e mais de 4 mil litros de álcool, apreendidos.
A rigor, a envasadora poderia vender somente álcool para fins domésticos e industriais. Testes preliminares realizados pelo técnico do Comitê Sul-Brasileiro de Qualidade de Combustíveis (CSBQC), Fabrizzio Machado da Silva, indicaram que o álcool reservado nos tanques na realidade era combustível, o que também exige autorização por parte da ANP.
''Legalmente, eles não têm autorização para nada'', disse o diretor da Vigilância Sanitária de Londrina, Rogério Lampe. ''Mesmo se a venda fosse de álcool comum, faltam embalagens apropriadas, equipamentos de segurança e informações para o consumidor'', disse Silva. ''Também há o despejo de resíduos diretamente no solo'', completou o diretor técnico da Sema, Ocimar Taroco.
Na outra envasadora, a Superall, na Avenida Artur Thomas (Zona Oeste), a blitz encontrou somente um funcionário. O rapaz disse não ter conhecimento de nenhum dos documentos exigidos. As irregularidades, no entanto, eram as mesmas da primeira empresa, provocando também a interdição da bomba e a apreensão de 7 mil litros de álcool.
Pela manhã, o grupo ainda tentou visitar uma terceira envasadora, na Zona Norte, mas encontrou os portões fechados. Durante a tarde, a blitz continuou, mas sem sucesso: outras quatro envasadoras também estavam com os portões fechados. Segundo o coordenador do Procon, Gerson da Silva, a partir de agora as empresas que comercializam álcool serão monitoradas. ''Se elas voltarem às atividades, a conversa vai ser diferente'', afirmou. Ao final da operação, o Procon deve enviar um relatório ao Ministério Público para a condução de eventuais investigações por parte da promotoria.
Nas notas de compra do álcool apresentadas pelas duas envasadoras consta o nome da Camacuã Distribuidora, com sede em Guarapuava e escritórios em Londrina e Maringá. As notas tinham a mesma data e números de série sequenciais. A empresa também corre o risco de ser interditada pela ANP, já que, segundo Fabrizzio Machado, distribuidoras não podem vender combustível para envasadoras.
A reportagem da Folha procurou a direção da distribuidora para esclarecimentos, mas até o fechamento desta edição não havia tido retorno.


