Na última semana, o preço do litro do álcool subiu quase R$ 0,30 em alguns postos de Ponta Grossa. O aumento está sendo provocado pelo novo sistema de fiscalização de recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas distribuidoras de combustíveis. Agora, os caminhões que fazem o transporte do álcool precisam deixar a distribuidora já levando a guia preenchida de recolhimento do imposto.
Para os proprietários de postos que já compravam de distribuidoras que não sonegavam não houve alteração nos preços. Já para aqueles que preferiam comprar de distribuidoras que não seguiam à risca às leis tributárias, os últimos dias têm sido de explicações aos clientes.
E em alguns postos a explicação é bem franca. ''A distribuidora de onde a gente compra sonegava imposto. Agora que ela está recolhendo certinho tivemos que aumentar o preço'', diz o frentista do Posto Canaã, no centro da cidade. De R$ 0,79, o litro do combustível passou para R$ 0,989. Um aumento de praticamente 25%.
Para o vice-presidente do Sindicombustíveis, Eldo Bortolini, as alterações não foram novidade. ''Há mais de cinco anos que nós tentamos explicar para a população que quando existe uma diferença gritante de preço entre um posto e outro só existem três alternativas: ou o posto compra de uma distribuidora que sonega, ou o combustível é adulterado, ou a distribuidora está praticando dumping'', considera.
Como proprietário de posto, Bortolini diz que está se sentindo aliviado. ''Meus funcionários eram chamados de ladrão porque no meu posto o preço do álcool era mais alto do que na maioria dos outros postos. Isso porque eu sempre comprei combustível de uma distribuidora séria'', diz.
O Procon de Ponta Grossa deixou de fazer o levantamento de preços nos últimos dias. Segundo a coordenadora do órgão, Vera Lúcia Barbieri, havia muita reclamação de que a pesquisa privilegiava aqueles que sonegavam impostos. ''Vamos esperar a Receita Estadual fazer a parte dela e depois que os preços se estabilizarem voltaremos a fazer a consulta'', avisa.
O inspetor de arrecadação da Receita, José Valdir Sousa Meo, diz que desde a última terça-feira mais de 30 caminhões carregando álcool já foram fiscalizados na cidade. Até agora, todos estavam em situação legal. A fiscalização, segundo ele, é uma atividade que foi incorporada à rotina do órgão.
Estimativas da própria Receita dão conta de que, entre a saída da usina e a venda por parte das distribuidoras, haja uma perda de 80% na arrecadação de ICMS sobre o produto. A sonegação representa um prejuízo anual de R$ 14 milhões para o Tesouro do Estado.

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