Blitz do Procon e Ipem no Paraná vistoria produtos que 'encolheram'
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segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Luciano Augusto<BR>De Londrina 
Uma ação conjunta entre o Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR) e o Procon, órgão municipal de defesa do consumidor, realizada ontem em supermercados do Paraná, procurou nas gôndolas produtos 'maquiados' com menos conteúdo nas embalagens, sem redução de preço.
Em Londrina, a operação foi feita em um estabelecimento e vistoriou cerca de 50 produtos incluindo os 16 que compõem a cesta básica. Apesar de não autuar nenhuma indústria, os técnicos do Ipem e a fiscalização do Procon detectaram que o expediente de reduzir conteúdo sem baixar preços foi adotado em praticamente todos os segmentos vistoriados, como em produtos de higiene pessoal, limpeza, massas, derivados de leite, ovos e biscoitos. A multa para o fabricante pode variar de 200 a 3 milhões de Ufirs.
De acordo com o coordenador do Procon, Martiniano Tito Valle, numa primeira análise o que ficou comprovado é que muitas indústrias estariam ''maquiando'' seus produtos para disfarçar o aumento do preço. ''Alteraram a composição ou o aroma do produto para maquiar o que na verdade é alta'', apontou Tito Valle.
O coordenador do Procon instruiu no sentido de que, além de observar a data de validade, o consumidor confira sempre o peso do produto e o seu preço. A dica é optar por marcas que não modificaram a padronização de seus produtos.
O técnico do Ipem, Marcelo Trautwein, afirmou que o instituto está de mãos atadas porque as indústrias não precisam seguir padronização. ''Com o Mercosul, o Brasil teve que abrir mão dessa padronização para competir com os importados e as empresas aproveitaram'', explicou.
Em Maringá, o Procon começou a notificar apenas os grandes supermercados da cidade que não estão informando os consumidores sobre quais produtos foram ''maqueados'' nos últimos meses. A partir das notificações os supermercados têm cinco dias para colocar cartazes ou placas com a relação dos produtos alterados. O objetivo é alertar os consumidores sobre os produtos que, de uma forma sutil, sofreram reajustes de preços de até 25%. No total, o Procon de Maringá deve fiscalizar 12 supermercados esta semana.
De acordo com o diretor do Procon de Maringá, Adilson Reina Coutinho, é responsabilidade dos supermercados informar todo tipo de alteração do produto disponível ao consumidor. Conforme Coutinho, a partir da publicação dos produtos alterados, o consumidor poderá optar por outros que não tenham sofrido alta mesmo que disfarçada nos preços.
Um dos casos mais graves de produtos adulterados é o do papel higiênico que está sendo comercializado com 10 metros a menos, porém com o mesmo preço. ''Neste caso, o reajuste de preço proporcionalmente ao conteúdo foi de 25%''.
Além do papel higiênico, outras mercadorias como sabão em pó de diversas marcas, cervejas, biscoitos e extratos de tomate ''encolheram'', mas não sofreram qualquer redução nos preços. (Colaborou Lucinéia Parra, de Maringá)


